A Lua e eu
Eu já peguei a Lua na mão. Em uma mão apenas. Na verdade, entre dois dedos: o indicativo e o polegar. Outrora, toquei-lhe a face arredondada e nem senti suas crateras. Para mim, ela, realmente, é achatada, fria, embora exuberante em sua luminosidade. E exerce influências sobre mim...
Curiosamente ela não é feita de queijo. Mas de vidro fumê. E só consigo essa proximidade com o satélite natural quando viajo à noite. De ônibus. É em qualquer momento do trajeto que sinto meu olhar sendo atraído para a janela. Abro a cortina velha, poeirenta e fedorenta e lá está ela - resplandecente.
Para garantir que ela está pertinho de mim, estico a mão direita. Raramente à esquerda. Quase nunca, creio... Nesse êxtase, nem percebo quando ela começa a fugir de mim, ficando para trás. Logo ela muda a situação, acelera o passo e corre atrás do meu toque.
Ao nosso redor está apenas a paisagem bucólica e noturna. Iluminada por seu esplendor seguimos num romance sem testemunhas. Ninguém dá valor...