Só mais um dia...
Não me olhe Como se a polícia Andasse atrás de mim Cale a boca E não cale na boca Notícia ruim... Há tempos, era pequena ainda, ouvia os mais velhos da minha família [inclusive meu pai] a chamar os jornalistas de abutres. Mal [ou bem] sabia ele, que no futuro eu seria um deles. Não me orgulho e muito menos gosto de fazer matérias a respeito da tragédia alheia. Mas são coisas da profissão de um repórter. Hoje, talvez por fazer um mês da despedida de meu pai, eu tenha ficado ainda mais amuada em falar com os filhos de Dona Santa, senhora que foi uma das vítimas fatais na Clínica de Endoscopia Conci. Quase não fiz perguntas. Meu olhar era de pesar pela dor daqueles filhos, que ainda lidam com o coração fraco e emocionado do pai, hospitalizado desde a notícia da morte da esposa. Na casa simples, mas espaçosa de Dona Santa, logo começou o entra e sai de vizinhos e parentes, que aos poucos começaram a chegar para ofertar solidariedade ao casal de irmãos. Senti-me aliviada ao constatar que...