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A louca das casas

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Eu sou a louca das casas. Caminho pelas ruas, observando as casas bonitas. Passei a infância morando em casa com varanda e fundos. Foi só aos 9 anos de idade que migrei para os bloquinhos. Mas de prima percebi que ser guria de apartamento não trazia vantagens. Logo, desenvolvi uma paixão por casas; aquelas bem grande para dar conta de toda a família, de segunda à domingo, e em dias de aniversários. Mas hoje é tudo tão diferente... Elas são todas gradeadas. E mesmo assim, ninguém parece curtir os espaços ao ar livre, o pátio ou “a frente” ajardinada. Ao fundo de alguma janela, dá para ver que tem gente em casa. Às vezes... Tem sombras perceptíveis formadas pela luz tênue de algum abajur – luminárias para os elegantes. Não ouço vozes, nem de crianças brincando. Não tem entra e sai. Não tem frestas abertas para ventilar os ambientes. É tudo muito esteticamente insípido. E, claro, inodoro. Ao meio dia, meia tarde ou à noite, não há aroma de comida caseira. Não há ...

Ode aos detalhes do cotidiano

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Foto: Marcelo Oliveira Porto Alegre, 6 de julho de 2018. Cotidiano Vinha distraída pelo caminho, como acontece sempre que decido fazer o trajeto a pé. Foco o pensamento na agenda do dia, no que tenho que fazer em seguida, e ando. Resolvo o que dá para resolver. Mas, de repente, mudei. Agi diferente. Em dias de chuva às pessoas ficam nervosas, ansiosas. Algumas até melancólicas. Comecei a ficar mais atenta.  Cuidava o trânsito; desviava de pessoas e seus cães pelas calçadas úmidas ou irregulares.  “Engraçado!” Um homem de seus 50 anos levava um cão pela guia por um passeio estreito de pedras. O mesmo em que estava, aliás. Ele deve ter pensado que iria parar para deixa-los à vontade. Não queria. Mas fui condicionada a ser gentil ou servil com o próximo. (Naquele momento eu era essa próxima) Cedi. Sem sapatos impermeáveis, o normal seria dar a preferência a quem seria mais afetado por poças d’água, lama ou buracos. A lógica e a educação guiavam meus pensamen...

Pesquisa?

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Nessa segunda-feira, às 7h15 da manhã, subo no ônibus da linha 255 – Caldre Fião (empresa Presidente Vargas|Consórcio Unibus) e tem, provavelmente, um estagiário distribuindo um ticket. Ele vestia um colete que o identificava: EPTC. Logo abri o sorriso e pensei. Alguém da Empresa Pública de Transporte e Circulação, mesmo que um estagiário [deduzi pela jovialidade do rapaz], para ver as barbáries que os passageiros desta linha e empresa passam pela manhã, ao ir ao trabalho. Mas não. O tal papel dado era um aviso. Sim, pra mim um aviso de que a empresa estaria fazendo uma pesquisa sobre o embarque e desembarque. Uma pesquisa de qualidade. Eu com essa minha mania de pensar, imaginei que outra pessoa aplicaria um questionário, breve, ou entregaria um para que o preenchêssemos. Achei um pouco inviável considerando que, com o horário de verão no transporte público, os horários estão reduzidos e por consequência os veículos mais cheios do que o normal. Lotados mesmo. O que impossibi...

A poucos passos de uma zorra

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Sei os prós e os contras de uma paralisação. Já vivi isso várias vezes e vivo agora com a greve dos metroviários. Mas sou uma pessoa adepta aos movimentos populares, aos protestos organizados, civilizados e sem violência. Então, hoje pela manhã, acordei mais cedo e fui em busca de um lugar no ônibus, que com certeza estaria mais cheio do que nos demais dias. Como sou comodista e prática também - afinal, antes pagar R$ 1,55 a mais do que ficar andando de um lado pro outro atrás de ônibus que não sei que horas sairia - optei de ir de executivo. No sereno das 7 horas, parecia que estava destinada a voltar para casa ou para uma reunião de última hora com o frila. Mas 5 minutos depois eu estava quentinha dentro do veículo, trocando mensagens e me acomodando confortavelmente no banco estofado, para uma soneca de 30 minutos. Mesmo por esse pequeno incômodo pela manhã, o resto do dia transcorreu perfeitamente. Foi uma adorável segunda-feira. Porém devo confessar, já estava prepara...

I'm back in Porto Alegre

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Feliz 2012 a todos. Meu reveillon foi de Paz e Amor familiar no interior do Estado do Rio Grande do Sul. É fácil demais acostumar com a vida no campo. Depois dos primeiros dias, o corpo já está acostumado as delícias do interior. Comidinha caseira produzida com legumes e verduras da horta, com gordura animal artesanal, carnes frescas e tratadas sem ração ou conservantes químicos. O resultado é um sabor mais autêntico e, de certo, quilos a mais na balança. Mas deixei para pensar nisso depois. Afastada da metrópole parece que as horas não passam. Deve ser por causa do calor do local descampado. Calor intenso! 34 graus em campo aberto é muito pior do que os 40 do Rio de Janeiro. E nada de chuvas. Pecuaristas e agricultores sofrem com a estiagem pelo Noroeste do Estado. E lá no Sudeste do país, água em excesso. E que mata tudo. Até gente... Já falei disso por aqui: a cada final e início de ano, uma ou mais catástrofes naturais pelo Mundo. Mas quando acontece no quintal da gente, é...

Na cadência do samba

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O astro rei está nos brindando hoje. Muita luz e calor com seus raios aqui na capital dos gaúchos. E não. Não sai de casa hoje. Tomo meu mate daqui mesmo, protegida em meu lar e ao lado dos meus. Confesso que ando irritada de andar pela cidade com o caótico transporte público que nos é oferecido. Preparo o primeiro, de uma trilogia de e-mails em que relato as condições da frota, o desrespeito com o cidadão e cliente com os atrasos frequentes e diários das linhas de ônibus e a falta de educação e despreparo de funcionários [cobradores principalmente] que servem nas empresas. Não dá mais para aguentar essa afronta. Tudo bem que nós dependemos do transporte público, mas pagamos pelo serviço. E não é barato: R$ 2,70 para sermos maltratados nas viagens de lazer, trabalho ou na honraria de outros compromissos. Em Porto Alegre vivemos um descaso total por parte dos órgãos públicos, cujos fiscais não devem estar fazendo o seu trabalho direito. Se não estaríamos menos cansados de andar de ônibu...