sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus ano velho, a Deus ano novo




A vida é como uma gangorra. Um sobe e desce rápido demais para quem gosta de aproveitar os bons momentos. Por isso nunca gostei deste brinquedo.
Uma hora se está feliz. Em outro instante, triste. E a merda nesse vai e vem é que nem dá tempo para sentir aquele arrepio da instabilidade. É num rompante que tudo acontece.
2016 foi uma gangorra para mim. Como os momentos de baixa foram muito fortes, passei muito tempo perto do chão. E não é isso que almejei para mim. Queria estar mais perto da copa das árvores, sentindo a brisa fresca que passeia pelos galhos a tocar minhas bochechas rechonchudas.
Dona Morte visitou minha família duas vezes nesses 365 dias. Em fevereiro, quando minha mãe teve alta hospitalar, os médicos pediram para que começássemos a nos despedir dela. Levei oito meses após sua partida para acostumar com sua ausência. Para que a dor virasse saudade, ainda que intensa.
No meio desse período, meu irmão ficou dois meses hospitalizado. Antes disso teve crises de dores, de tristeza profunda e emagreceu mais de 40 quilos. E eu fazendo força para subir na gangorra.
Tentei sorrir, e em alguns momentos consegui. Afastei-me de alguns amigos e me aproximei de outros. Acontece. Viajei. Fui ao Uruguai, país que gosto demais, e quis ficar morando em Colônia do Sacramento. Mas voltei para casa. Para a família, que é tudo na vida da gente.
Consegui um freela bacana, com pessoas inteligentes e interessantes, e no meio de tantas ligações de escritórios de cobrança, consegui saldar parte das dívidas.  Outros amigos me indicaram para um trabalho e fui empregada. Estava leve. Era o momento de estar em cima, com a gangorra. Planejei, então, uma viagem ao Rio de Janeiro. A tour do samba, como denominou uma amiga e minhas novas parceiras de trip.
Nem mesmo um pequeno acidente de trânsito me abalou. Dano material não deve preocupar a gente.
Os meses foram passando e tudo se encaixando, aos poucos.  A gangorra subia e descia sem paradas extensas no nível da terra. Eu sorria mais freqüentemente e voltava ao contato social com todos meus amigos.
Estava no leme da minha vida, conduzindo tudo com parcimônia. Resolvendo problemas, ou, ao menos, encaminhando-os para que findassem. Eu, era então, um ser organizado. E feliz.
Novembro chegou e a viagem ao Rio não me empolgava, até sua véspera. Dia 21 fui indenizada e a grana serviu para custear meus prazeres na cidade maravilhosa, dois dias depois. Eram quatro dias com minhas amigas e três com minha irmã. Fiquei  devendo $15 ao Uber, mas não perdi o vôo. 10:05 da manhã do dia 23 de novembro, quarta-feira, embarcava, feliz. Estava de fato, nos ares. Gangorra parada em brancas nuvens.
Minha irmã me esperava para o almoço. Até motorista mandou para me buscar, enquanto ela trabalhava no horário do almoço para ficar comigo mais tarde. Trocamos várias mensagens engraçadas até ver o seu sorriso amarelo da nicotina e sentir seu abraço carinhoso. Então já não estava sozinha na felicidade. O reencontro mostrou isso.
Conheci os amigos dela. Que passaram a ser meus amigos também. Naquela quarta-feira fui mimada o tempo todo. Ela sabia do que gostava.
Na quinta, fui encontrar minhas amigas. A Trip do Samba começava. Fui na Escadaria Selaron e na Lapa, onde dancei e bebi e me diverti. E de tudo a Elenara pedia fotos. Pedia para me cuidar. Na sexta subi o morro da comunidade de Santa Marta – e quase me caguei de medo. Sambei mais à noite na Pedra do Sal e depois na Lapa. No sábado, peguei uma insolação na praia de Copacabana, subi o morro da comunidade do Vidigal (me caguei pela segunda vez), bebi várias caipirinhas preparadas por um gaúcho, dancei mais um pouco. E tudo a mana queria saber.
À noite, a festa seria no Salgueiro, mas fui ao encontro da minha irmã. Embora retornasse apenas na terça-feira 29 para Porto Alegre, só teria o domingo de folga com ela. Chamei o motorista - sim, minha irmã tinha um “uber particular” – e mesmo que tarde, pude vê-la, de relance, ao chegar, caminhando tranquilamente. Foi o tempo de despedida. Dona Morte veio pela segunda vez nos visitar e em pouco tempo a gangorra desabou no chão. Era o momento da tristeza.
Dezembro começou, sem que no dia 1º pudesse ligar para cumprimentá-la pelo aniversário. O Natal passou e estávamos, nós, caminhando sem amparo novamente. Capengas. Sozinhos. E hoje, só quero que 2016 se despeça levando todas as agruras e sentimentos menos nobres para o passado. Por que em 2017 não quero mais brincar de gangorra. Prefiro carrossel. Ou até roda gigante.

Feliz 2017 a todos!

Que seja uma ano de Deus em nossas vidas, em todos os instantes. E que sejamos capazes de entender - e aceitar - seus mandamentos.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Estado civil: feliz!





14:45. De uma segunda feira. Veja que beleza... E é primavera. Pronto. Não preciso de outro motivo para estar feliz, além do fato de ter novos amigos de boteco, uma nova professora de inglês e, quem sabe, um novo affair. Afinal, uma nova quinzena se aproxima.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Eu fujo!



Estou sofrendo um desgaste emocional. Nem sei se isso existe, mas já diagnostiquei. Rá. E sei a cura também: dar o fora! Pegar a estrada! Viajar sem rumo e sem prazo de validade. Sem pensar em nada, apenas vivendo, curtindo coisas boas. Ficar despreocupada e conhecendo culturas e hábitos novos.

Há quem dirá, certamente, que isso é fugir. É coisa de perdedor, medroso. De gente fraca. De quem nunca passou trabalho na vida. E que o remédio certo é um serviço no lombo e coisa parecida, pois problemas se resolve trabalhando, enfrentando-os.

Para mim, sair por aí é quase que alforria, liberdade, cuidar da própria vida e ponto. Não tem nada a ver com medo, ao contrário. Não é egoísmo. Ao contrário. É deixar de pensar no coletivo, no todo para fortalecer-se. Significa voltar o olhar para si, reerguer-se, cuidar-se, amar-se. Isto! É amor próprio.

Como também sou uma aproveitadora, e estou em um momento de elevar a estima, me beneficiarei da situação para por os sonhos em prática.

E sou uma sonhadora compulsiva. Daquelas que nem põe ponto final numa  ilusão e já vai criando outras fantasias. Daquelas que quando curte o rumo da imaginação, continua criando até ficar próximo a realidade. E quando chega nesse nível - ou no estresse de vida citado acima - é melhor vivê-los.

Estou no limite desses dois pontos. Ao mesmo tempo. Tudo junto e misturado. E nem sei se um deles têm chances de chegar primeiro. É empate na certa. E, ao invés de surtar como a maioria das pessoas, eu abro a minha caixa das ilusões e "volto a viver". Há quem tome uns remedinhos, se sobrecarregue de serviço, contorsa os músculos e sofra de dor, até o ponto de se matar ou matar alguém. Eu "fujo". Pra minha vida.