Ode aos detalhes do cotidiano
Foto: Marcelo Oliveira Porto Alegre, 6 de julho de 2018. Cotidiano Vinha distraída pelo caminho, como acontece sempre que decido fazer o trajeto a pé. Foco o pensamento na agenda do dia, no que tenho que fazer em seguida, e ando. Resolvo o que dá para resolver. Mas, de repente, mudei. Agi diferente. Em dias de chuva às pessoas ficam nervosas, ansiosas. Algumas até melancólicas. Comecei a ficar mais atenta. Cuidava o trânsito; desviava de pessoas e seus cães pelas calçadas úmidas ou irregulares. “Engraçado!” Um homem de seus 50 anos levava um cão pela guia por um passeio estreito de pedras. O mesmo em que estava, aliás. Ele deve ter pensado que iria parar para deixa-los à vontade. Não queria. Mas fui condicionada a ser gentil ou servil com o próximo. (Naquele momento eu era essa próxima) Cedi. Sem sapatos impermeáveis, o normal seria dar a preferência a quem seria mais afetado por poças d’água, lama ou buracos. A lógica e a educação guiavam meus pensamen...