Madrugada
4:45, marcava o relógio do celular, que às vezes serve de despertador e agenda de compromissos. O gato miava para sair. Queria fazer suas necessidades. Como de costume levantei e abri a janela para ele sair e voltei para a cama, a fim de recuperar o sono, porque o sonho não queria. Estranho demais... Impossível também. 5:45 o sono ainda não havia voltado. Sei a hora certa porque novamente olhei no visor o celular. Sou um pouco assim, cronometrada. Levantei, fiz xixi, tomei água e olhei pela janela [em tempos de nicotina teria fumado uns três cigarros e bebido duas taças de vinho na sacada]. Fazia muito tempo que não perdia o sono, muito tempo mesmo... Por várias vezes tentei a técnica de contar carneirinho [funcionava na infância e juventude], de imaginar situações irreais, um romance torridamente feliz. Mas também não deu certo como antes. Nesses 60 minutos ouvi períodos de silêncios na emissora de rádio de Videira [Transamérica Hits]. O vigia deveria estar trocando “a fita” e a inson...