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Sóis



Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir.

Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos.

E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação.

Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades dentro de mim. E quando fui recebida em sala de aula, o colega sorriu o bom dia e me estendeu a cuia cevada.

Atrasada, e com o celular em mãos, fui me acomodando em sala de aula. Era então a escolhida da arguição na interatividade. Respondi. E perguntei. Conversei. Fiz anotações e olhei mais um pouco as redes sociais. Tudo igual, não fossem as 43 borboletas em revoada no meu estômago e uma lagarta no casulo. Daqui a seis dias elas saem voando, todas, refletindo suas cores sob a luz dos sóis que compõem meu cotidiano.

Em seis dias, já terei recuperado meu bom senso, longe da TPM. E mesmo não gostando, o ciclo menstrual não há de interferir na tal felicidade que há em um outro ciclo. As bodas.

“Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos, quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez...” (Beto Guedes)

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