Postagens

A louca das casas

Imagem
Eu sou a louca das casas. Caminho pelas ruas, observando as casas bonitas. Passei a infância morando em casa com varanda e fundos. Foi só aos 9 anos de idade que migrei para os bloquinhos. Mas de prima percebi que ser guria de apartamento não trazia vantagens. Logo, desenvolvi uma paixão por casas; aquelas bem grande para dar conta de toda a família, de segunda à domingo, e em dias de aniversários. Mas hoje é tudo tão diferente... Elas são todas gradeadas. E mesmo assim, ninguém parece curtir os espaços ao ar livre, o pátio ou “a frente” ajardinada. Ao fundo de alguma janela, dá para ver que tem gente em casa. Às vezes... Tem sombras perceptíveis formadas pela luz tênue de algum abajur – luminárias para os elegantes. Não ouço vozes, nem de crianças brincando. Não tem entra e sai. Não tem frestas abertas para ventilar os ambientes. É tudo muito esteticamente insípido. E, claro, inodoro. Ao meio dia, meia tarde ou à noite, não há aroma de comida caseira. Não há ...

É saudade que chama?

Imagem
Saudades desta amiga que nunca me deixou só – até 90 dias atrás.  Se viva, ela teria enviado uma mensagem dizendo: "Nega, tô com saudades. Mas já passou!" E ainda assim sairíamos para tomar uma ceva em um boteco qualquer perto de casa. A gente sempre tinha assunto. Era tipo casamento, sabe? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Talvez, se a gente falasse menos bobagens, se divertisse menos, trocasse menos confidências, desse menos palpite na vida uma da outra, e até brigasse menos, não doesse tanto agora. Mas também não seríamos amigas. Não seríamos nós, que juntas, era sempre pra somar. Era mais! Nossa amizade era bacana. Um misto de amiga-irmãs. Quando um modo ficava chato, ou a situação exigia, automaticamente a gente virava a chave pro outro sistema. E tocava o baile. E mesmo assim discordávamos, às vezes. Vocês não sabem, mas a gente tinha planos de vida. Eu ia comprar uma casa na praia e ela teria um quarto. Nem eu e nem a Jana pensá...

Dois reencontros, duas despedidas

Imagem
Comemoração do meu aniversário, em 2015, com amigos Este ano eu completei 45 anos. Mas a foto do post é de 2015, quando comemorava mais um aniversário ao lado de amigos do peito. A Jana, escondidinha ali atrás, é mais do que amiga. É irmã! Certamente fingiria surpresa e me perguntaria com tom de deboche: “Ué, não era 29 anos?” Depois reclamaria de expor a imagem dela nas redes sociais, sem a sua autorização. Por fim, registro aqui outra pergunta, recorrente antes mesmo de setembro chegar: “E aí nega, o que vamos fazer este an o no teu aniversário?” Engraçado... Ela não gostava de comemorar o seu aniversário, mas estava sempre presente no meu. Aliás, amiga irmã é assim: tá sempre presente em todos os principais momentos da vida da gente. E sou grata por isso. Tem o Luiggi também. Que tá bem ao lado da Jana, o carequinha. Um querido... Foi uma surpresa enorme quando numa conversa de bar, e a gente foi em alguns nessa convivência, ele falou do ano que estudou em um coléginho ...

Eu, dona de mim!

Imagem
Às vezes,  me percebo distraída em frente a tevê. Chorando! É novela, reportagem, seriado, documentário, comercial. Não precisa mais do que emoções para me fazer chorar. De imediato sorrio. Lembro o que dizia à minha mãe: "Por que pobre tem que aparecer na tevê chorando? Não é bonito!" Ela sempre ria quando eu dizia isso. Talvez por que soubesse que eu, se estivesse expondo emoções ou sob influência delas, também choraria. Muito! Fazendo boca quadrada, como ela costumava dizer. E eu ria dessa outra bobagem. Hoje, eu ando pelas ruas chorando. Muito! Ainda não estou acostumada a só ter lembranças. E elas vêm em onda, como o mar. E para completar esse maremoto de emoções, me afogo em algumas fotografias publicadas nas redes sociais. Sem pai, nem mãe nesse plano, eu ando nesse mundo dona de mim. Eu, que na adolescência imaginava que isso seria tão libertador, tão fácil e divertido, não esperava me deparar com a estrada da perdição que a vida poderia ser. É isso: Per...

A escrita que me afeta

Imagem
Foi sob muita chuva, que no último sábado de outono de abril, em Porto Alegre, quatro talentosas mulheres abriram espaço no seu cotidiano para se encontrarem com as palavras e a própria criatividade. Estranho, mas o clima era quente. Mesmo sem a presença do astro rei, eu sentia calor na charmosa sala Risco de Giz do Espaço 80 Coworking. Abri a janela do casarão antigo no bairro mais boêmio da capital gaúcha, mas o ar úmido que por ali entrava não interferia na energia vibrante e luminosa destes quatro girassóis. Entendi, então, que os canais de troca estavam estabelecidos. Seria uma manhã de novas experiências, da prática da escrita, de comunicação oral, algumas dúvidas e esclarecimentos, de vivências, de exercícios de sensibilidade, de dicas, autodesafio e até um pouco de comunicação não violenta, não fosse ainda mais. Sim. Nas edições do curso de escrita criativa e afetiva sempre tem algo a mais, como network, novas parcerias, “jobs” e até amizades. Bom, não é?! ✨ hashtag # r...

Sóis

Imagem
Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir. Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos. E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação. Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades den...

Ode aos detalhes do cotidiano

Imagem
Foto: Marcelo Oliveira Porto Alegre, 6 de julho de 2018. Cotidiano Vinha distraída pelo caminho, como acontece sempre que decido fazer o trajeto a pé. Foco o pensamento na agenda do dia, no que tenho que fazer em seguida, e ando. Resolvo o que dá para resolver. Mas, de repente, mudei. Agi diferente. Em dias de chuva às pessoas ficam nervosas, ansiosas. Algumas até melancólicas. Comecei a ficar mais atenta.  Cuidava o trânsito; desviava de pessoas e seus cães pelas calçadas úmidas ou irregulares.  “Engraçado!” Um homem de seus 50 anos levava um cão pela guia por um passeio estreito de pedras. O mesmo em que estava, aliás. Ele deve ter pensado que iria parar para deixa-los à vontade. Não queria. Mas fui condicionada a ser gentil ou servil com o próximo. (Naquele momento eu era essa próxima) Cedi. Sem sapatos impermeáveis, o normal seria dar a preferência a quem seria mais afetado por poças d’água, lama ou buracos. A lógica e a educação guiavam meus pensamen...