quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O inverno vai passar...


Estou aqui me debulhando em lágrimas. Meio de requenguela assisti ao programa sobre os 18 anos da morte do cantor e compositor sertanejo Leandro. Ele, assim como minha mãe, foi vítima de câncer.

Por isso está sendo difícil não me emocionar com o sentimento das pessoas que estiveram em volta da luta do artista. Aliás, quando um ente querido está doente, a batalha é de todos. Amigos, médicos e familiares.

Fazendo uma retrospectiva breve, lembro bem que depois do diagnóstico de câncer na minha mãe, já na saída do consultório, eu só pensava em tratamento. Em tentar todas as opções, buscar apoio médico especializado - o melhor para ela. No contraponto, sob o olhar e experiência de quem acompanhou a passagem de uma tia e da vó com a mesma doença, a mãe já estipulava até onde queria ir. E eu querendo ultrapassar barreiras.

Foram pouco mais de três anos de persistência. De muita força, incentivo, quimioterapia, radioterapia, exames, alimentação alternativa, de reza, benzedura, crenças e fé.

No primeiro ano do tratamento, chorei de felicidade após o final do ciclo inicial de sessões de quimioterapia. As células ruins haviam regredido em mais de 50%. E uma luz tomou conta da minha caixa torácica, eliminando a penumbra dentro do meu peito. Nesse instante a flor da esperança desabrochou, criou viço e começou a emanar perfume. Em mim e nela.

Eu só pensava em comemorar. E como uma boa guria gorda, gulosa, tinha que ser com comida. 

A princípio pensei que fosse ser assim por uns 10 anos. Sim. A virginiana aqui se deixou levar pelo que - desde o inicio - era para ser apenas um paliativo. Agora, como cantava a dupla de irmãos, “tenho que aceitar que amores vêm e vão, mesmo sem aprender a dizer adeus”... E que “se o adeus me machuca, o inverno vai passar e apaga a cicatriz.”

4 comentários:

Jana (Linda) disse...

Voltei a frequentar teu blog. Não tenho me manifestado nos post's, mas esse me tocou bastante.
Nesses três anos estivemos juntas na fé e também em muitos outros momentos.
Almoços de natal e aniversários regados a cerveja, praia, um simples bate papo, uma visita rápida e algumas mais demoradas.
Enquanto tu me corria a Dona Odete sempre dizia: "Jana, volta quando quiser, a casa é tua".....
Voltei muitas vezes e em todas sempre me senti em casa.... Saudades desses bons momentos onde eu virava literalmente a palhaça entre as visitas e tua mãe ria da minha cara e sorria com minhas loucuras
Vocês moram no meu coração.

Cor de Rosa e Carvão disse...

Amiga, não comentarei sobre o adjetivo. Mentira! Linda só por que tua estima é alta. A realidade é bem outra. :D

Sobre teu comentário lindo, esse sim está bem colocado, tenho a dizer-lhe que tua companhia e amizade são uma dupla perfeita. Meu coração agradece. Tenho só um complemento a fazer: minha mãe era uma lady, sempre educada com as pessoas, até com aquelas que não queria que voltasse (entendeu ou quer que desenhe?). :D :D :D

Amo tu cara de tatu!

Daniela Muller disse...

Querida Elaine! Estou aqui visitando teu blog e quero primeiramente te mandar o meu abraço pelo teu aniversário.. Segundo, quero dizer que este texto está muito tocante.. Quero que saibas que sempre senti uma energia de amor muito grande na tua casa, por isso adorava os teus aniversários.. porque foram duas pessoas muito especiais que espalharam esse amor por lá! E agora como canta a Gadu..É se encontrar na fé.. Com meu carinho, Dani Müller.

Cor de Rosa e Carvão disse...

Oi querida Dani. Muito obrigada pela lembrança... E também pela linda mensagem. Bom saber que o nosso lar é um bom lugar para receber os amigos. Um ambiente de amor e carinho. Obrigada Dani. Tentarei manter essa herança. Mesmo sendo difícil nesse primeiro momento, quero manter esse clima de boas vindas por aqui. Tu e a Mi sintam-se à vontade. A casa é de vocês também. Ao menos até eu mandar embora. Hehehehe. Beijo no coração.