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Eu só quero chegar até os 85...

Idosa festeja seu centenário fumando, bebendo e comendo gorduras
Toucinho, torresmo e morcilha são as preferências de Olívia Franco da Silva

Letícia Duarte - leticia.duarte@zerohora.com.br


Com um cigarro na mão direita e um copo de cerveja preta na outra, Olívia Franco da Silva desafia todos os protocolos de saúde. É sem abrir mão de hábitos politicamente incorretos que ela pretende festejar seus cem anos, hoje, em Alvorada. No jantar em que dançará a valsa do centenário, com um vestido azul alugado para a ocasião, também não faltarão suas comidas prediletas: toucinho, torresmo e morcilha. Os médicos e a família tentam convencê-la a moderar. Olívia não se intimida. Fuma uma carteira de cigarro a cada três dias, não recusa uma cervejinha, nem pensa em trocar carne gorda por sopinhas. Apesar do mau exemplo que a torna exceção, não tem doença aparente, sequer alteração de colesterol.
– Agora que tenho essa idade, ninguém me governa mais. A gente vai fazer o que se não aproveitar a vida? – provoca, com sorriso maroto. “Ela parece ser muito sortuda”, diz geriatra

Filha de agricultores, trabalhou desde a infância na roça, plantando fumo em Santa Cruz do Sul. Foi furtando palheiros da mãe, aos oito anos, que adquiriu o vício. Na mesma lida do campo, aprendeu que precisava de “sustância”. Ainda hoje, come viradinho de feijão no café da manhã.

– Só falam de arrozinho, massinha, bolachinha. Essas comidas delicadas não dão força para a pessoa – insiste.

Mãe de 10 filhos, com “uma fazenda de netos, bisnetos e trinetos”, orgulha-se de nunca ter ficado internada no hospital. Acostumada a remédios caseiros, segue fazendo seu próprio xarope, com agrião. Uma das lembranças mais vivas é a guerra entre chimangos e maragatos. O pavor de que as tropas tomassem as casas obrigava a então adolescente a se esconder. Diante do medo, conheceu a força da fé, que desde então só se fortaleceu. Satisfeita com o século bem vivido, não deixou sonhos pelo caminho. Nem se arrepende de ter desistido do segundo casamento depois da viuvez, há 25 anos. Pra quem quer viver muito, ela não recomenda seguir o seu exemplo.

– Tem que pedir ajuda a Deus, que ele é quem sabe – desconversa.

Comentários

Nanda Assis disse…
nossa isso é que é força!!
acho que cem anos é pouco p mim.

bjosss...

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