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Um show burocrático

- Tu pegaria o Zé Ramalho?
- Eu não! Ele é muito feio, enrugado, velho demais.
- Ah, mas ele é cheiroso demais. Eu já fui num show dele.
- Ah não. Bem capaz!

- Pior é a Paloma Duarte que casou com aquele...
- Ah não!!! Veio o coro do banco de trás do carro, que discutia antes quem pegaria ou não o Zé Ramalho.
- Oswaldo Montenegro é bonitão – Isso era consenso entre nós, que achamos que a Paloma pegou bem, embora o maravilhoso cantor Metade de Mim sofra de DDA (distúrbio de déficit de atenção) ou algo parecido.
- Ta, ta! Entendi.


Assim transcorreu a conversa enquanto íamos ao show do Zé Ramalho ontem. O casal mais meigo da cidade nos deu carona e para variar falamos de tudo; desde política até putaria. É claro que desse quesito eu sou um anjo negro, puro, casto e virginal (RS), que de forma alguma pegaria o músico em questão... até ele entrar no palco, cantando muito bem, mas de forma burocrática.

- Diz que não pegaria ele agora? Disse minha parceira de pista, que se reclinou no balcão do bar e só saiu dali para mijar e ir embora.
- Sim, pegaria! Ele até parece bonito – assumi.

Não sei a que horas subiu ao palco, mas nem percebi se foi cedo ou tarde. Passamos o tempo todo em clima de diversão e indignação ao mesmo tempo. Tudo era motivo para rirmos e para xingar. Tinha crianças de 12 anos, comprovadamente hoje em conversas de salão, circulando pela pista de dança, que com certeza devem ter pesquisado na Net quem era Zé Ramalho antes de sair de casa. “Vai dormir!” Era a expressão mais usada por mim e a Silvitcha.

Enfim, ele cantou todos os sucessos e fez o biz, tradicional e programado – rápido demais para quem esperava o encanto que sempre norteia os shows. Pronto. Foi embora! Ele cantou bem, muito bem. Curti demais o show do cara, mas faltou a magia, o encanto, a conversa com o público, lasciva e querida, que faz a gente sair correndo para esperar ansiosamente a loja de CDs abrir para comprar o último trabalho. Na verdade eu tive a sensação contrária. Acho que não comprarei mais nenhum álbum do Zé. Mesmo ele tendo cantado espetacularmente, num espaço bonito, porém com acústica ruim. Mesmo ele estando bonito e me feito mudar de idéia sobre se o pegava ou não. Mesmo ele tendo cantado Chão de Giz, minha música favorita. Eu queria mais: queria calor.

Mas não posso negar; foi bom e me diverti muito! Dancei – que cheguei a ficar com dor nas juntas hoje -; cantei; tentei paquerar (mas a concorrência com as blonder`s estava acirrada); gritei; acenei para o Zé, mas ele não me viu; bebi (bastante), que quando fui dormir me senti a própria Daniela Mercury cantando com o Olodum: “Vou dar a volta no Mundo, eu vou! Vou ver o Mundo girar!”

Chão de Giz


Comentários

bem se o que faltou foi calor.
Me apresento..
maurizio
betty boop disse…
putz tu pegaria o zé ramalho, rsrsrs
o negócio esta ruim mesmo...
qdo lembro dele a imagem que vem a cabeça é de um lobisomem
Silvia disse…
hauahauhuah....a coisa tá feia por aqui mesmo...falei que ela pegaria...basta ter um P.....entre as pernas que ela tá em cima..heheh ou embaixo...ou do lado...

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