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Quando foi que eu parei de sonhar?

Não sei!

Avoada, cabeça fresca, tranqüila, despreocupada e sonhadora. Sempre fui sonhadora. Houve um tempo em que quis ser jornalista. Nem entendia e nem sabia das responsabilidades da profissão. Mas quis. Era então uma guria do primário. Da 5ª série. Relapsa, displicente, mas conversadeira. Dizia sempre que queria ser como a Maria do Carmo, apresentadora do Jornal do Almoço da RBS TV em Porto Alegre. Então eu cresci, conclui o nível médio e fiz o vestibular para jornalismo. Hoje estou formada, depois de muitos percalços, há cinco anos...

Como toda adolescente quis morar sozinha. Nunca tive motivos para sair de casa. Deixar o cheiro de comida caseira, as regalias do pai, os palpites da mãe... Mas queria arriscar e viver uma vida “livre”. Pensava que era só completar 18 anos, que então se poderia ir viver sem o pulso firme de pai e mãe. Mas me enganei. Os 20 anos passaram e os 30 chegaram. Então, de repente, estava eu aceitando o convite de trabalho em uma terra distante da minha, desconhecida, vindo morar sozinha. E morei.

Sonhei em ir viajar com meus colegas da pós. E no meio de um período turbulento, de mente, corpo e coração, estruturei, repensei, estruturei de novo e fui. Conheci Punta Del Este e Montevidéo, no Uruguai. Participei de seminários de marketing, fiz oficinas, conheci pessoas, lugares, fui ao show de Paulinho Moska. Passei cinco dias e noites em harmonia com o corpo e a mente, entre pessoas amigas e conhecidas.

Mas, desde então, não tenho mais o ardor de sonhar, por no papel, de planejar. Essa semana entrevistei um palestrante motivacional. O tema da palestra dele era renovação, sonho, motivação. O mote era que para atender os anseios sociais e pessoais, o ser humano precisa sonhar, mas não deixar na cabeça, porque na cabeça, sonho vira devaneio. Porém, sonhar é necessário e coloca-los no papel vira planejamento, motivos para agira, motivos para ação: motivação.

Então é isso, estou desmotivada. A criança e a mulher sonhadora estão fora de mim. Saíram para comprar cigarros e estão levando muito tempo para voltar. Eu como por ansiedade, trabalho por necessidade, vivo por lealdade a mim mesma. É triste deixar de sonhar. Não vou mais enganar ninguém, ou me enganar. Passei a semana triste porque não consigo mais sonhar. Tenho só devaneios...

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