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Ainda tem florzinha...

Não iria mais passar aqui hoje, mas uma xícara de chá para o Neno me trouxe lembranças da infância de novo. Cá estou, então, a contar mais uma parte de minha vida.
Eu sempre fui uma criança glutona. Não me continha com pouco, nunca! Queria sempre mais. Em tudo. Comida então, nem se fala. E era comum eu ter dor de barriga ou passar mal do estômago depois da ingestão de doces e salgados, ou seja, de comida em excesso. Muito sofri por ser glutona. Minha mãe sempre vinha com sal amargo, leite de magnésio, chá de carqueja ou, então, o tal chá de macela. E lá ia eu correndo para o banheiro, hehehe.
Geralmente eu enchia a pança nos finais de semana. Então, pouco tempo depois da orgia gastronômica eu chegava para a mãe e dizia: “minha barriga tá doendo...” Já toda chorona, claro, e com a mão sobre o local. Creio que a véia pensava que era dengo e deixava eu sofrer por mais um tempo, até que eu reclamasse novamente. Então, ela vinha com um dos quatro compostos já citado e eu já arrependida e, às vezes, me contorcendo toda sobre a cama ou o sofá, negava a dose do remédio.
Mas tinha uma hora que não tinha jeito. Era tomar o treco ou esperar a digestão. O menos ruim era o chá de carqueja, mas como não era doce eu não tomava também, mas o que fazia efeito rápido era o de macela. Então lá vinha minha mãe com uma xícara fumegante com um líquido bem amarelado e cheio de florzinhas do chá dentro.
- Mãe tem florzinha aí. Eu não quero.
Ela voltava para a cozinha e tirava a macela.
- Ainda tem florzinha.
- É bom guria, toma logo que tu melhora.
Eu tomava um gole e, como sempre, tava quente e amargo. Lá voltava minha mãe para esfriar o chá, coar o negócio e colocar açúcar.
- Mãe, tá muito forte. Põe mais açúcar?
- Não, tá bom assim. Se colocar mais açúcar não vai fazer efeito.
Já de saco cheio mim, a mãe deixava o chá no quarto e saia de perto. Sem chances da coisa melhorar, não me sobrava outra alternativa se não tomar o negócio. Então eu fechava as narinas e fazia “gute gute” da bebida. Com a barriga ainda dolorida, dormia; para em seguida acordar e ir correndo para o banheiro.
Quando não era muito tarde e caía no sono profundo novamente; a fome voltava, mas então estava eu proibida de ingerir qualquer coisa, se não chá de macela ou água. O impressionante era que nunca ficava ressabiada. No outro final de semana a cena se repetia...

Comentários

Anônimo disse…
A fotinha é na casa amarela da Batista Xavier?
Tode vez que passo ali lembro de vc.
É a minha referência de lar!!!! Tive a melhor infância do mundo naquela rua (que mandaria ladrilhar com pedrinhas de brilhantes...).
Lilian disse…
Hehehe...
deixa eu confessar que tbém acontecia comigo.

Me dá uma saudade de nosso chimas e muitas guloseimas em aula.

Bjks

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