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Desvario

Sofia estava sentada ao lado de seu pai, na cama, de frente para a janela. O dia amanhecia e a conversa já fluía solta há muitas horas. Um pouco de sono aqui, um desvario ali, mas falavam como nunca havia acontecido antes. Talvez sejam as circunstâncias. Um papo descontraído, livre de ranços.

Nos momentos de silêncio, ficavam olhando a vista por meio das quatro vidraças fumê, que tomava conta da parede, sete andares acima do solo. Segundo seu pai, do lado de fora, homens se reuniam sobre um prédio para um manifesto. Ele dizia que era uma pouca vergonha o que eles estavam fazendo. Em todo o seu tempo de serviço nunca havia feito greve. Não podia, trabalhava com a diretoria da companhia. Sabará era profissional de confiança.
- Esses vagabundos! Vão trabalhar...
Ela acredita no relato de sua fidelidade trabalhista, mas só porque escuta o discurso desde sua adolescência. No agora é que tudo é duvidoso.


- Ah!
- O que foi pai?
- Tu não viu a onda? Mas bah... O que eu tô fazendo aqui em Capão? Quem é que me trouxe pra cá?
- Tu viu um tsunami pai, uma onda gigante?
- Mas tu não viu guria? Olha lá de novo. Eu é que não vou entrar nesse mar. Nem eu e ninguém da minha família que depende de mim.

A filha volta o olhar para a janela, novamente, e continua apreciando o dia que vem raiando, entre os prédios novos e bonitos do Menino Deus, onde as poucas árvores se fazem valer por sua força e, de certo, pelo capricho de poucos homens, com medo da consciência ecológica urbana lhes assolassem.
por mim

________________________
- Agora é sério. Fortes motivos me fizeram interromper a série prometida (mas não esquecida). Paciência, porque eu, por incrível que pareça, estou bem tranqüila. Cansada, confusa e tranqüila.
- Acho que acredito demais na vida e no ser humano, como diz meu amigo Alê. Sou um ser 100% esperançoso. Fazê o que, se eu sei que tudo vai dar certo...

Comentários

Barbara disse…
Ô criatura, vê se manda teus contatos! Ou vou ter que apelar para o sinal de fumaça para te achar agora que moras em outro Estado?
tô com saudade...
bj, Barb.

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