quinta-feira, 19 de abril de 2012

Passageiros Nariz de Palhaço

Senhores: Cobradores, Motoristas, Empresários do Transporte Coletivo, Vereadores, Vice-Prefeito e Prefeito 

A cada dia nosso trânsito está mais intenso. Vemos mais veículos transitando com apenas o condutor em seu interior, ajudando a inchar a circulação nas vias públicas. Mas é fácil de entender isso. Não é apenas o desenvolvimento socioeconômico dos cidadãos que facilita a aquisição desse bem. Também é o desejo de se livrar do serviço caótico ofertado pelas empresas que atendem o transporte público em Porto Alegre.

Não sou de protestar, de fazer manifestos, integrar movimentos, participar de passeatas. Porém, passo a crer que esse tipo de atitude tem que ser adotada por todos os insatisfeitos do setor. Pagamos uma tarifa de ônibus cara para não termos nada em troca, além de desprezo, desrespeito, indiferença, deboche e maus tratos por parte do empresariado desse setor.

Os coletivos são velhos; os veículos adaptados estão na maioria das vezes com os elevadores com defeito; eles têm vazamento e em dia de chuva forte é preciso ter cuidado para não se molhar no interior dos carros e o interior dos ônibus está sempre sujo. Além disso, os motoristas não cumprem os horários da tabela, fazem idosos correr de uma ponta a outra nas paradas e param fora dos pontos. Já seus parceiros, os cobradores estão sempre querendo embolsar o valor do passe em dinheiro, fazem cara de desagrado quando recebem notas de R$ 10 e 20, exigem troco do passageiro, moedas, são mal educados e às vezes até grosseiros. Ou seja, não respeitam a Lei do Troco e ainda fazem o cliente aguardar pelo dinheiro de um jeito constrangedor.

Nós, os passageiros, pagamos o valor de R$ 2,85 para recebermos um serviço, no mínimo, desqualificado e com pessoas despreparadas nas suas funções. Os fiscais ou controladores do fluxo de cada empresa, que ficam nos pontos finais, não estão preparados para prestarem informações às pessoas. Nunca sabem os horários dos ônibus, nem o trajeto que as linhas fazem. E quando são inquiridos sobre atrasos, o que acontece frequente nas linhas da Empresa Viação Presidente Vargas, do Consórcio Unibus, eles se fazem de desentendidos, menosprezando e até debochando de quem está há dezenas de minutos numa fila monstruosa de pessoas.

Do consórcio Unibus, acredito que a pior linha seja a 255 – Caldre Fião. Motoristas respeitam apenas os primeiros e últimos horários. As demais viagens da tabela são cumpridas, de certo, quando bem entendem. Frequentemente, me arrisco a dizer que diariamente, se vê dois e até três carros seguidos – um atrás do outro – em um dos turnos do dia ou mais. Com isso, os ônibus ficam abarrotados de pessoas, que estão ansiosas por chegarem em casa depois de um dia de trabalho. E mesmo aquelas que saem para o lazer ou realizar as compras do lar ou pessoais também têm direito a um serviço pontual e decente.

Na última segunda-feira, 16 de abril, fiquei aguardando um ônibus da linha 255 por mais de 30 minutos (33 exatamente). Cheguei as 19 horas no ponto da Estação Rodoviária de Porto Alegre e embarquei no ônibus às 19h33 aproximadamente – carro 2063 do consórcio Unibus. Depois de trabalhar 8h45 diariamente, saio do serviço pensando na batalha estressante que será chegar em casa. E é sempre assim quando as pessoas se submetem embarque sempre tardio ao Caldre Fião: desrespeito. E esses atrasos, ao que tudo indica, é progressivo, pois hoje (18.04) foram 44 minutos de espera, sem passar nenhum carro da linha sequer.

A surpresa aconteceu foi que, ao chegarmos no Centro, um ônibus (carro 2063) da mesma linha (255 – Caldre Fião) saia do terminal com passageiros, deixando para trás um número considerável de pessoas para a próxima viagem. A sensação que tive foi de indignação, de raiva. Me senti uma palhaça ao ver que este carro havia seguido direto para o ponto final, para começar o trajeto sentido Centro-Bairro. Por isso que ficamos 44 minutos esperando: provavelmente por causa de orientação de alguém da empresa de transporte que autorizou a saída do ônibus diretamente do ponto final.

Novamente cheguei aproximadamente as 19 horas na Estação Rodoviária e lá permaneci até as 19h44, quando o carro de número 2015 estacionou para embarque de várias, mas muitas mesmo, pessoas.

Senhores motoristas e cobradores, fiscais da empresa, fiscais da EPTC, empresários do setor, vereadores, secretários de governo, vice-prefeito e prefeito: ISSO NÃO PODE CONTINUAR! É quase desumano que o trabalhar seja tratado da forma que vem sendo e que a cada ano tenha que vivenciar aumentos abusivos de um serviço, que não merece tanto suor do gaúcho. Por favor, vamos repensar as estratégias. Pois esta que está vigente é unilateral.

Veja agora os horários que a empresa desrespeitou na quarta-feira 18:
Sentido Centro-Bairro
19h09, 19h21 e 19h33

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