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CRÔNICAS PRAIANAS: O salva vidas da 175

Domingo de sol e mar no Litoral Norte do Rio Grande do Sul

Nossa prainha está assim: cheia de gente e cores. Tudo que realmente gosto. Mas nem todos são iguais. Tinha gente solitária a beira mar. A procura, apenas, de um bonito bronzeado. Não é o meu caso... Eu nasci com a medida certa de melamina. Fico embaixo do guarda sol, ocupando uma mesa e cadeira, postos ao bel prazer e consumo dos veranistas das proximidades do quiosque da guarita 175.

E que guarita! Deus sabe que meu gosto tende ao cheio: peito espadaúdo, coxas grossas, panturrilha farta e, confesso, até uma barriguinha larga. Atenção: Não ao caroço ou pseudo barriga d'água que os machos de 40 cultivam, mas aquela gordurinha fofa que se espalha suavemente para os lados. Isso me atrai. Mas aquele corpo moreno e atlético pulou do alto do posto de observação com firmeza. Pisou seguro na areia úmida, só de sunga. Cavada... E me enfeitiçou.

De repente, meu gosto tomou outro conceito de homem. Me aprumei na cadeira. Puxei, disfarçadamente, as laterais do sunquini para dar uma forma menos arredondada ao meu corpo mais do que farto, retoquei rapidamente o gloss e sorvei três goles de caipirosca. Mesmo assim, de nada adiantou. Ele me ignorou. Estava eu segura demais, me afogando - em tanta beleza - com a bebida e longe do mar.

O salva vidas passou por mim, foi até a janela de atendimento do quiosque e pediu uma água sem gás. Rapidamente me imaginei saciando minha sede na rebentação. Mas eu sei. Também não daria certo... Então voltei a atenção à bebida nas mãos, esquecendo, a cada gole, a almejada respiração boca a boca.

Comentários

jana disse…
pretendo conferir esse salva vidas tbm...
o que posso dizer?
talvez ele estava absorto em seus pensamento e não te notou....
relaxa, tem mais 1 findi

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