terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tipo comum

Eu sou um tipo comum. Sempre soube disso. Tão comum que várias pessoas já me confundiram com a melhor amiga, com uma parenta da cunhada, com a tia do fulano, com a colega de trabalho de antigamente e assim por diante. Sempre tem um sorriso franco me esperando dentro do ônibus, na contramão do passeio, num carro, no shopping...

Como sou péssima para lembrar nomes, e, às vezes, fisionomias, deixo a confusão se formar. Cumprimento os enganos com beijos e abraços saudosos, converso, pergunto da família de forma genérica, ouço comentários sobre a vida de outras pessoas, de certo, conhecidos da minha sósia.

Em raras exceções é tudo verdade. Surge um lampejo de lembrança e me vem tudo à memória. Nome completo, endereço, CPF. E as boas histórias construídas com a criatura. Mas coincidências realmente raras.

Teve uma vez que entrei no supermercado para comprar flores. Era aniversário de uma amiga e queria levar um mimo. Subi a rampa do estabelecimento, ao lado da minha tia, numa de umas visitas que fazia à família durante o período que morava em outro estado. Falastronas, as duas pararam em frente aos azeites. Ao lado estava um cara, escolhendo uma marca de azeite extra virgem.

Quando vi a criatura abri o sorriso e disse um Oi sonoro. Beijos, abraços e a pergunta de praxe ao primo que é chefe de cozinha.

- Procurando um bom azeite para cozinhar? - A criatura responde calorosamente, afinal, dos primos paternos ele era um que não via há anos. Mas vi que continuava feio e barrigudo. Bem afável, ele retribuiu a manifestação de carinho e a conversa. Rapidamente me despedi e deixei passar uns corredores. Voltei para minha tia e perguntei:

- Ué, tu não fala mais com o Oswaldo? Nem cumprimentou o guri!

- Que Oswaldo guria. Aquele cara não era ele. Pensei que fosse um amigo teu – Disse a tia, rindo muito da minha cara, ao lembrar dos beijos e do abraço apertado trocado com um estranho e falsário!

- E eu dei até beijinho e abraço pensando que fosse ele...

Olho pra trás para confirmar meu engano e lá estava ele, nos seguindo pelo super com seu carrinho. E sorrindo. Como quem quisesse mais e mais beijos e abraços e conversas estranhas... Já morta de vergonha e com medo do feio se aproveitar do meu equivoco, peguei a tia pelo braço e sai, de mãos abanando, do supermercado. Quase que a jato! Naquele momento, verifiquei com pavor, que o cara também parecia ser maratonista... Que sorria!

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