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Páscoa feliz!




Todo Domingo de Páscoa era a mesma coisa. Acordavam-me e nessa ocasião eu estava dispensada do processo de higiene: lavar o rosto, escovar os dentes e pentear os cabelos. Podia ir correndo procurar o ninho que o coelhinho da Páscoa escondia.

Sim. Eu acreditava em coelhinho da Páscoa até uns 10 anos de idade, ao que me lembro. E era tão bom... Saia correndo pela casa, com toda a família atrás de mim dizendo: “ta frio, ta muito frio. Ih, ta gelado!” Tinha anos que eu achava de loguinho. Em outros demorava tanto que recebia ajuda da irmã e da tia, já cansadas de ficarem falado, quente ou frio.

Tempo feliz esse nosso de criança... Eu, que hoje sou viciada em chocolate, quando encontrava meu ninho, sentia meus olhos brilhando de tanta gula e felicidade. Eu ganhava um coelho e um ovo de chocolate médio ou pequeno. Dependia da situação financeira dos pais.

Na mesma cesta vinha também um ovo de açúcar [que as tias do interior faziam e decoravam]; três ovinhos envoltos em papel alumínio colorido, pequenos; bombons soltos e uma delícia: uma barra redonda de chocolate maciço [pequeno] e com três ovinhos de bala grudadinhos em cima. O doce cabia na palma da minha mãe, talvez um pouco maior, afinal, eu era pequena... Mas adorava!

O sorriso da guria durava o dia inteiro, todo manchado de marrom... O café da manhã era chocolate, o almoço era chocolate, o lanche da tarde e o jantar. No dia seguinte, tinha gente que levava a cesta todinha. Eu não, porque sabia o risco que corria. Em colégio de vila, aparecer com chocolate era praticamente cometer um suicídio pascoalino. E se tivesse que perder a minha páscoa, que tivesse ser para mim mesma. E era mestre nisso.

Todos os anos os adultos da casa apostavam entre si para saber quanto tempo iria durar minha cesta. Eu, claro, tratava de frustrá-los anualmente. Mas não conseguia. Ao que me lembre, nenhuma cesta durou mais que uma semana. Aliás, nenhuma chegou a essa marca. Até que decidiram adotar a estratégia do Coelho da Páscoa: esconder a de mim a minha própria cesta. Resultado? Desespero infantil.

Passava o dia inteiro a procura do presente do coelhinho. E gordo – mesmo criança - sempre acha o de comer. De repente eu parava de pedir chocolate para comer. E minha mãe nem desconfiava. Ela achava que esquecia da Páscoa. Até que alguém lembrava dos meus doces e pedia um para comer. No esconderijo: Surpresa!

* * *
Hoje o significado e o cotidiano pascoal são bem diferentes para mim. Cresci, amadureci e aprendi. É um momento mais feliz passar este conjunto de dias: Sexta-feira Santa, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa. Principalmente quando estou com eles – minha família.

Mas atenção! Não pensem que abdiquei dos chocolates. Não, não. Só que neste ano eles não vieram em formato de ovo...


Bom renascimento a todos!

Comentários

jana disse…
te conheço desde os 6, 7 anos de idade e ainda me surpreendo com os teus "causos" infantis,kkkk
por exemplo: nunca me passou pela cabeça que você penteasse o cabelo
kkkk
amo chocolate, quando era criança ganhava muita coisa mas demorava muito para comer tudo.
hoje em dia posso ficar muito tempo sem comer chocolate, mas basta um pedaço que devoro a barra toda
bj
Ha ha ha. Pra ti ver Jana... Na verdade, não era eu que me penteava. Era a Odete. Aff!
Nanda Assis disse…
as coisas sempre mudam pra melhor. otima semanaaa queridaa!

bjos...
Nanda


É a mais pura verdade. A gente pode não entender no início. Mas sempre melhora... Beijocas queridona e excelente semana tb.
Gaúcho disse…
Sua páscoa era quase igual a minha. Tudo isso que você descreveu, mais os ovos de galinha pintados com carrapinha dentro, as balas de goma em forma de gomo de laranja, as moedas de chocolate! Nossa, como era bom ser criança na Páscoa. Hoje, adulto, não comemoro mais. De qualquer forma, perdeu a graça.

Beijos e força aí no regime! Tô de olho em você!
Querido

Tinha esquecido dos ovos de galinhas pintados e cheios de carrapinha... Pense numa pessoa que não gosta de amendoim, mas de carrapinha sim. Hehehehe. Que contraditório... Hehehe. E sim, perdeu a graça, mas não podemos nos entregar Gaúcho, amigo e companheiro blogueiro.

Beijocas

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