sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobre esse tal de mulherismo

“Tenho em mim dualidades eternas:
A criança e o adulto;
a mulher e o homem;
o sol e a lua;
o mar e a terra;
o anjo e a fera.”

Hothon Nemawashy


Estou tremendo até agora. Que agonia... Com coragem – e depois de evitar por muito tempo – eu vi o vídeo da escrivã que foi mais do que constrangida. Que teve mais que seus direitos desrespeitados, por colegas homens. Uma vergonha que, ainda no Mundo, as mulheres ainda sejam discriminadas, humilhadas, envergonhadas, rotuladas, minimizadas e mais milhares de “adas” que possam existir.

Não ia fazer nenhum post sobre o Dia Internacional da Mulher. Mas, depois do que vi, não tem como não fazer. Meus braços doem da tensão que sofri ao assistir tudo isso. E digito. Não consigo imaginar o que essa mulher passou. Assim como não dá para voltar séculos atrás e reparar milhares de situações similares, menores ou maiores do que viveu a escrivã.

Pensem: não estou defendendo uma infratora, pelo fato de ser mulher. Não! A irregularidade existiu e ela deve ser responsabilizada por tal. Mas isso não dá “direitos” àqueles policiais [principalmente do delegado que chefiava a ação] de - no exercício de suas atividades, que é baseada na legislação – “esquecerem” as regras, abusar do poder que lhes foi cedido e fazerem esse circo de horrores.

Por isso e outras centenas de motivos, que no dia 8 de março não quero flores; não quero agradecer pela lembrança da data; não quero ser parabenizada por ser mulher. Quero o que é justo, independente de gênero, credo, raça, nível social. Quero o que é meu, pelo meu esforço e merecimento. E sei bem do que eu e muitas mulheres somos capazes. Quero o correto, todos os dias do ano.

Não dá para voltar no tempo e dizer para um industrial [cego, irracional, desumano, assassino]que seus milhões, sua vida boa, sua fortuna, seu bem estar dependia e vinha do trabalho desumano de suas funcionárias. Que um aumento de salário seria muito mais do que justo. Que benefícios sociais são mais do que necessários. Não pelo simples fato de sermos mulheres, mas por que merecemos. Afinal, somos profissionais capazes, muito capazes e multifacetárias. E que condições, mínimas, de trabalho são importantes para o equilíbrio físico e mental da mulher no seu cotidiano.

Isso tudo não é mulherismo [feminismo no conceito de um carnavalesco ébrio], como ouvi um arremedo de homem comentar com o amigo na volta da folia. Sorri [e até brinquei], pela sua ignorância, ao ouvi-lo reclamar de que está cansado disso, que não quer saber daquilo e que tem nojo daquele outro. Nós, ainda bem, temos prazer em realizar tudo que sabemos fazer, que aprendemos a realizar e do que somos capazes de executar. Sem nojo ou raiva. Inclusive o de gerar esses dois homens.

2 comentários:

jana disse...

também achei um horror o que fizeram com ela...

mas que lugarzinho para guardar a grana hein!!!!
kkkk

SuNshyne disse...

Preocupa não que eu também estou obesa e mesmo assim uso salto.
Aonde esta este video? No You tube? Me passa o link? Eu me sinto na obrigação de assistir, ainda mais que eu defendo mesmo as mulheres!