domingo, 10 de outubro de 2010

Tira a mão do meu berimbau!

Na fila do Elevador Lacerda, tocando meu berimbau



Eu queria um baiano, mas acabei com um berimbau na parede. Está bom! Todo dia eu pego e tiro um som do instrumento que tem séculos de história para reproduzir.

Foi paixão a primeira vista. Passei em frente a loja do Mário, na ida para o Elevador Lacerda e vi aquela exposição de peças de berimbau e instrumentos de percussão. Parei! Para “exaltasamba” da Marinha. Não temos foto do Mário e de mim fazendo um som, por que a invejosa da parceira de viagem estava querendo correr as lojas populares de Salvador atrás de um biquíni fio dental...

Mas nem toda agitação, afoite e ansiedade da minha amiga me fez arrefecer pela compra do Berimbau de Barriga [1]. Segundo a Mara, que comprou uma cuíca minúscula, eu fiquei uma hora no local, aprendendo a tocar pandeiro e testando todos os puítas do Mário, até escolher o meu.

Sai de lá feliz, com algo que mais parecia um arco e flecha do que um quijenje. E até a gente ir embora, a Marinha ficou fazendo terrorismo comigo: “quero ver como tu vai levar isso no avião...”. Eu, que não dou o braço a torcer, mantive firme a decisão de trazer um pedaço da Bahia pra casa.

Na hora do check in, o atendente disse que deveria despachar o berimbau também, mas sem a cabaça. Nossa! De cara pensei: “aonde será que vai parar meu instrumento?!” Mas confiei. E na hora de pegar a bagagem, lá estava ele, nas mãos de um funcionário da Gol. Ufa!

A Mara, que tocava só cuíca [E sem cuspir!]


Berimbau [1]

É talvez um dos instrumentos musicais mais primitivos de que se tem informação. Considerado instrumento de corda e encontrado em várias culturas do mundo, inclusive no Novo México (USA), Patagônia, África Central, África do Sul e Brasil. Em geral, o berimbau é constituído de um pedaço de madeira roliço (pau-pereira, taipoca, beriba, etc.) tensionado por um fio de aço bem esticado, que lhe dá a forma de um arco, contém um tipo de caixa de ressonância que, na verdade , é uma cabaça ou um coité cortado no fundo e raspado por dentro para ficar oco e com o som bem puro. Mais vaqueta, caxixi e dobrão (moeda antiga de cobre. No Brasil, o berimbau chegou pelas mãos dos escravos africanos que vieram para cá traficados para serviços pesados nos engenhos, isto por volta do ano de 1538, século XVI, portanto. O berimbau também é chamado por outros nomes como urucungo, puíta, quijenge, dentre outros. Estes nomes são derivados de palavras vindas de dialetos Bantu, correspondente aos países de Angola, Moçambique, Congo, Zaire e outros O berimbau que conhecemos mais popularmente é o que normalmente é feito de madeira ou bambuí e que se compõe de sete partes distintas, ou seja: vêrga, cabaça, corda, caxixi, dobrão, baqueta e amarração da cabaça.

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4 comentários:

Pimenta disse...

Caraca, obrigadão, era berinbaumente ignorante, até ler este post!
bjo

Elaine Gaspareto disse...

Elaine, o som dele é lindo! Aqui em frente de casa tem aula de capoeira e ao som do berimbau!
Eu tenho um. De enfeite. Imã de geladeira. Mas vale, né?
Beijosssss

Cor de Rosa e Carvão disse...

Pimenta:

Eu também guria, berimbaumente ignorante. Mas quem tem internet e um vendedor de quijenje como o Mário, fica sabendo quase tudo... Legais e malucos os teus blogues. Ainda bem! Tem sempre gente mais transloucada do que eu. Ufa!

Elaine:

Oi guria! Quanto tempo não te vejo por aqui... Obrigada pela presença. Sabe que desde que comprei o negócio penso em frequentar um grupo de capoeira. Agora que tu comentastes sobre a escola em frente a tua casa, me deu mais ânimo ainda.

Beijocas gurias e uma semana berimbaumente legal.

Sexo Verbal disse...

Berimbau, cabaça, isso dá pra fazer um trocadilho...Mas falando sério, é melhor um berimbau afinado na parede, do que um baiano na cama. Dizem que para um baiano pensar em sexo ele leva dois dias. He,he,he...

Pau-roliço, pau-pereira...
Fala sério!

Beijos,
Enfil