Pular para o conteúdo principal

Só mais um dia...



Não me olhe

Como se a polícia

Andasse atrás de mim

Cale a boca

E não cale na boca

Notícia ruim...

Há tempos, era pequena ainda, ouvia os mais velhos da minha família [inclusive meu pai] a chamar os jornalistas de abutres. Mal [ou bem] sabia ele, que no futuro eu seria um deles. Não me orgulho e muito menos gosto de fazer matérias a respeito da tragédia alheia. Mas são coisas da profissão de um repórter.

Hoje, talvez por fazer um mês da despedida de meu pai, eu tenha ficado ainda mais amuada em falar com os filhos de Dona Santa, senhora que foi uma das vítimas fatais na Clínica de Endoscopia Conci. Quase não fiz perguntas. Meu olhar era de pesar pela dor daqueles filhos, que ainda lidam com o coração fraco e emocionado do pai, hospitalizado desde a notícia da morte da esposa.

Na casa simples, mas espaçosa de Dona Santa, logo começou o entra e sai de vizinhos e parentes, que aos poucos começaram a chegar para ofertar solidariedade ao casal de irmãos. Senti-me aliviada ao constatar que a praticidade na hora da perda não é sinônimo de frieza. Ao contrário... Dói tanto na gente, que qualquer função útil nos mantém menos triste.

Entre as conversas, um ou outro atendia ao telefone ou a porta. Ouvi o único filho consolar a irmã de fora, que voltará para a casa com o marido. Depois ouvi a caçula, decidida, a ficar por perto, ao invés de retornar para a cidade vizinha e continuar com os estudos.

Mais uma vez meu coração se fortaleceu da certeza de que o melhor mesmo é a gente estar com quem nos ama e com amamos, incontestavelmente. Pois cada um de nós sabe a dor e a delícia de ser o que é...




Comentários

Nanda Assis disse…
viver na intensidade sem se preocupar, esse é o segredo da felicidade.

bjosss...
Joana Campos disse…
Oiê, cê mandou tõ escrevendo! mas pó pará de roer unhas, coisa fêia.
Te vi lá na Elaine e vim ver qual era, pronto tô aki, gostei e vou voltar! hehehehe

Quando tiver um tempinho passa la no DE MIM PRA VC e...DE VC PRA MIM, tome um cafezinho comigo, tá quentinho.

Tiessssspero!
Bjs
Joana Campos

Postagens mais visitadas deste blog

Se o queijo mofou está estragado [1]

Errado! E só soube disso uma semana depois de ter posto aproximadamente um quilo de queijo colonial no lixo, cheia de dó no pensamento, no estômago e principalmente nos olhos. Logo eu, que sou como avestruz e como até pedra com pimenta do reino moída na hora [se não for assim eu não gosto].

O fato aconteceu logo que vim de casa, após comemorar meu aniversário com minha família e amigos do peito [Jana, sua jararaca, não se inclua nesse núcleo]. Na bagagem sempre trago vários mimos e a cesta básica patrocinada pelo Araújo. Mas, dessa vez, tinha algo a mais: duas metades de queijo redondo, de diferentes sabores, no estilo colonial.

Depois de uma semana degustando o melhor deles, aquele mais branquinho e molinho, levemente salgado - diria que quase um polenguinho - decidi saborear o outro, mais amarelinho, sequinho e oleoso, com doce de leite. Dez dias a base de queijo e salame e enjoei. Sob orientação da minha mãe, deixei os queijos num pote bem ventilado, a sombra.

Mas a umidade no Flat fo…

Sóis

Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir.
Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos.
E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação.
Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades dentro de mim. E quand…

Nos phones: Todo homem

O sol Manhã de flor e sal E areia no batom Farol Saudades no varal Vermelho, azul, marrom Eu sou Cordão umbilical Pra mim nunca tá bom E o sol Queimando o meu jornal Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu Espuma de maça Barriga, dois irmãos O meu Cabelo, negra lã Nariz e rosto e mãos O mel A prata, o ouro e a rã Cabeça e coração E o céu Se abre de manhã Em abrigo, em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe