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Ego: massagear ou insultar



Massagear o ego é bem simples. Basta um elogio, um flerte, uma homenagem, um presente sincero. Minha vaidade adora isso tudo. O que ela não gosta é de comentários inoportunos e sem sentidos.

Nesse sábado, estava eu aninhada ao meu grupo de acompanhantes. Os três: bem vestidos, comportados e socialmente corretos. Não queriam chamar a atenção. Eu: levei apito, estava de amarelo e batom vermelho. Mesmo que não quisesse, cerimônias de colação de grau precisam de exageros. Afinal, estávamos ali para massagear o ego de alguém.

Só quem não entendeu isso foram duas pessoa. O nono eu perdôo. Ele me parece gente boa. Vaidoso, sabichão pelo que conta a neta. Não gosta de preto, mas de preta eu nunca soube nada... Eu, na santa inocência e pensando que longe de Videira, gritar por um sobrenome comum não atrairia atenção para mim, além da intenção de lembrar a formanda de que estávamos presentes e por ela.

Mas o nono me assustou ao se virar e me inquirir. Tive medo. Mas longe da roça não havia de onde ele tirar uma enxada para me bater. Então, sorri. Um sorriso amarelo como o do vestido, num pedido meigo de desculpas por ousar pronunciar seu sobrenome em vão...

Já não fiz o mesmo com aquela senhora. Chorei de raiva depois do comentário simpático e amistoso. De verdade.

Tínhamos chego a poucos minutos da entrada dos formandos. Fomos os últimos na fileira de cadeiras dispostas no ginásio decorado. A guria, toda serelepe, de longe nos viu. Mas ela não tem astigmatismo e usa óculos vencidos como eu. Eu precisei do olhar dos amigos para não acenar por engano.

De perto, já acomodada, preparei-me para sua entrada. Apitadas indicaram saudação. Ao meu lado, distante de mim uma cadeira, a mamma ou, quem sabe, mutter. Foi essa senhora que me disse: “Tu também tem um filho aqui?” [Ah?!] Pensei rápido numa resposta, enquanto o pensamento se agitava com a mesma rapidez que as lágrimas. [Tenho 35 anos, não 50. E meu comportamento é ridiculamente infantil para ser mãe. Por que, afinal, tenho que estar aqui torcendo por um filho?] Fui educada. Deduzi que era convidada também, da mesma pessoa, melhor uma resposta gentil, embora chocada e estanque: “Não!” E um sorriso. Pardo.

Comentários

Nanda Assis disse…
vc com certeza tem muita classe, educação e beleza. te adoroo.
foi amizade a primeira vista.

bjosss...
jana disse…
de amarelo?
batom vermelho?
hum.... interessante
Silvia Palma disse…
hehehhe.....quando tu quer tu sabe chutar o balde....não entendi tanta amistosidade..heheh

Posta foto da tua produção...cabelos e maquiagem especial....
jana disse…
ah! antes que eu esqueça.
quero super produção para nosso encontro, roupa bonita e maquiagem, he he he he
vou tirar uma fotinhas
Lidia Ferreira disse…
rsrs sinto amiga por ter passado por isso , mas gente xata tem em todo lugar
Minha querida ja postei no meu blog sobre 60hora , colocando seu blog linkado ta
bjs
Anônimo disse…
Realmente o que mais existe no mundo é gente sem noção, ou seria educaçao? rsrs
Rosana disse…
ai guria, tinha escrito um negócio bem legal aqui, mas minha internet tava uma M e só caía...
agora que fique assim....

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