Pular para o conteúdo principal

Eu peco pela boca, sempre!

Carnaval de 2009 - Vale Samba

Minha amiga Jana diz que tenho que manter meus sonhos, desejos, projetos para mim. Sem ficar espalhando aos quatro cantos, muito menos pelo mundo virtual. O problema é que eu peco pela boca, sempre! Sou gulosa e sou faladeira. Não faço fofoca, mas sou faladeira. Adoro uma boa conversa e segredo pra mim tem que ser partilhado, pelo menos com os amigos do peito.

Estava agora vendo o desfile da Imperatriz Leopoldinense, acompanhada de um big sanduíche e uma ceva bem gelada. Pronto. Lá se foi o primeiro pecado, considerando que sai de casa, depois do Big Brother, só para comer um petit gateau. Acho que era conseqüência da ressaca de sábado. Na verdade, é gula mesmo, já que comi meia barra de chocolate com castanhas e uvas passas. Não precisava de mais cacau por conta da ressaca não.

O outro pecado que cometo, diariamente também, é o de falar demais. Passei anos da minha vida não entendendo e renegando o samba. Passava os carnavais na praia, com amigos, ao som de muito reggae e MPB. Chegava o período da Folia de Momo e já estava tudo planejado: Garopaba, Praia do Rosa e Ferrugem. Dez dias e nove noites de pura alegria. Depois de cinco anos nesse ritmo, troquei tudo pela febre do axé, em Laguna. Do tempo em que sempre havia algum artista da hora lá da Bahia, no trio elétrico montado no Mar Grosso. E lá se foram mais três anos nesse clima.

Jamais pensaria em desfilar na avenida. Samba enredo nunca havia me despertado o desejo de fazer isso e ainda mantinha minha incompreensão dos amantes desse tipo de folia. Minha vizinha, em Porto Alegre, há anos, se envolve com a produção do evento, com a harmonia, com sambistas, carnavalescos e ainda põe seu bloco na avenida. Me convidava ano após ano para desfilar. Eu sempre dizia: “Bem capaz! Ficar uma hora e meia na avenida, me cansando, suando e sabe-se lá quanto tempo ainda na concentração e depois na dispersão... Nunca!”

O nunca durou alguns anos até. Mas, depois de por meu pé na passarela, há três anos, na Avenida XV de Novembro de Joaçaba, pela Vale Samba, paguei pelo pecado. É, simplesmente, demais! O bumbo toca, ressoa dentro do peito, corre aquele arrepio pela espinha, os cabelos, presos sob o chapéu, ficam ouriçados. O samba enredo vem na memória, completo. E quando o intérprete começa a cantar, é natural o folião da avenida cantar junto, tão bem quanto ele.

É nesse clima que o súdito de Momo começa a evoluir na passarela do samba. E quando ele passa em frente a bateria, senti a energia do samba, e chora de emoção. Resta, apenas, levar nossa alegoria, de corpo e alma ao ritmo e harmonia do samba enredo da escola do coração. E viva o samba!


Carnaval 2008 - Vale Samba

Este ano não desfilei.
Fiquei em Videira para ver as novidades no carnaval de salão.
O cansaço e a desorganização me deixaram longe da avenida.
Quem sabe, em 2011?


Comentários

jana disse…
eu (quase) sempre tenho razão...
vc sabe que falar demais gera uma incontrolavel vontade nos outros de adquirir o que vc quer...
vc não é fofoqueira com os outros, mas sempre fala de mim para o PP, e de mal, que é pior ainda
eu adoro carnaval, morro de vergonha de desfilar
mas no fundo tenho um sonho secreto de ser uma porta bandeira. aquele vestido lindo com aquela saia de armação gigante e todos os holofotes em mim. afinal, preciso brilhar e me destacar, na minha vida "normal" ja é assim (imagina em um grande evento), estarei levando o pavilhão da escola, kkkk
jana disse…
ah! estou trabalhando em plena segunda feira de carnaval
quarta 9 horas estarei firme e forte no trabalho
só eu mereço
kkk
Lidia Ferreira disse…
Nossa adoreii o texto , que bom que voce se divertiu , Viva o samba rsrsr
bjs
Nanda Assis disse…
que lindas fotos, espero q seu carnaval na frente da tv tbm esteje bom como estes outros ai q vc postou as fotos. lindaa.

bjosss...
Gente, meu carnaval foi na medida: nem mais e nem menos. Apenas Bom!

Postagens mais visitadas deste blog

Ode aos detalhes do cotidiano

Porto Alegre, 6 de julho de 2018.
Vinha distraída pelo caminho, como acontece sempre que caminho e foco o pensamento no que tenho que fazer em seguida e o tempo que disponho.
Cuidava o trânsito, desviava de pessoas e seus cães pelas calçadas úmidas ou irregulares. Engraçado! Um homem de seus 50 anos levava um cão na coleira pelo caminho estreito de pedras. Não sei se ele pensou que iria parar para deixa-los à vontade. Mas, fui condicionada a ser gentil com o próximo. E naquele momento, eu era essa próxima.
Nesta sociedade machista que estamos inseridas, o normal seria o homem e seu cão dar passagem, ao invés de manter seu ritmo firme. Irritada, pensei: se fosse loira e magra, ele até pisaria no barro com seu amigo, sorriria e daria bom dia.
Fiquei chateada com o que cogitava: soberba feminina ou falta de educação alheia?
Alguns diriam que isso é mimimi. Eu chamo de educação. Em algumas situações, poderia conceituar como bom senso. Enfim, segui. Esqueci-me do que só eu percebi e senti n…

Sóis

Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir.
Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos.
E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação.
Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades dentro de mim. E quand…

Meu choro, meu coração, minhas lembranças

Não consigo me acostumar com despedidas. Com a partida. O adeus! Com o tempo a gente acostuma a não ligar mais, não programar o reencontro, a ter que perder (mais) uma referência. Mas não sou amiga do tempo. Ainda não.
Em (mais) um ano precisei reaprender uma porção de coisas. A ter uma opção a menos. E hora foi fácil, hora foi difícil. Recomeçar a vida sem a presença dela ainda marca meu dia-a-dia. Existem muitas etapas em aberto ainda para poder ser apenas a saudade. Sem o choro. Só o coração e as lembranças.
E enquanto a vida burocrática não se ajeita, agradeço aos céus por ter nascido Barcellos e Araújo. Por ter sido a irmã caçula. E por ter me despedido. Foi por pouco tempo, mas foi importante. Vejo agora, que, talvez, o tempo tenha sido meu amigo, então. Mesmo eu não entendendo...
Obrigada Pai.