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Até eu ganhei com a queda do muro


Me lembro como se fosse ontem. Estava eu aguardando a aula do professor Sebastião começar. Era a mais fácil de todas para mim, mas, mesmo assim, nunca aprendi geografia em toda a minha vida. Talvez porque era a queridinha do professor.

- Cadê a minha negrinha? Ah, taí!

Morria de vergonha todas às vezes que ele dizia isso, logo depois do velho entrar na sala de aula. Diziam as mais experientes, que ele era um tarado. Adorava as ninfetinhas. E as gurias negras e roliças também...

Naquele dia, há 20 anos atrás, eu ganhei nota por participação. Talvez a única que não fosse por adoração. A pergunta eu não lembro, mas, lembro de ter levantado a mão e começado o debate sobre a queda do muro de Berlim, ocorrido no dia anterior, 9 de novembro de 1989.

Eu mal sabia o que era socialismo alemão, mesmo já com 15 anos completos e no primeiro ano do ensino médio. Era uma alienada na época, pelo menos até mudar de turno no colégio, no ano seguinte, e ter que amadurecer rapidamente para acompanhar o pensamento coletivo da turma e dos professores: ou seja, quando um colega não quer, ninguém tinha aula, mas quando o professor está de “cara” com a diretoria, todo mundo tinha que ficar até às 22h15.

Enfim, o muro de Berlim caiu. Famílias, amigos, colegas, cidadãos alemães vibraram durante horas, dias e noites seguidos quando o fato aconteceu. O símbolo do socialismo alemão estava indo ao chão e pessoas se abraçavam e beijavam. Começava ali uma outra luta e eles nem sabiam... Dizem os estudiosos de que até hoje cidadãos da antiga Alemanha Oriental ainda são discriminados do lado de cá e que o processo de re-unificação da nação, que foi concretiza quase um ano depois, não foi nem boa e nem ruim para o povo “in locun”.

Mas já pro Mundo, foi uma transformação social, econômica e política. Foi o fim da Guerra Fria e o começo do processo de Globalização. Na derrubada de alguns tijolos, que para eles representava a liberdade, para outros, felizes com a felicidade deles, era a construção de um novo mundo. Um mundo desconhecido, cujos novos desafios sócio-econômicos trouxe, talvez, mais desemprego, miséria, sub-empregos, fome e outras discriminações sociais. Ainda não sei ao certo.

Minha única certeza foi que eu ganhei um 10. Só por ter visto no telejornal a euforia de um povo desconhecido e comentado em aula.
Foto retirada da Revista da Cultura.

Comentários

jana disse…
ai o que você fez?
ficou estranho
kkkkkk
ja comprou meu presente de natal ou vou ter que deixar uma cartinha no correio para você lembrar de mim?
ah... eu achei tão: verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão! hehehe. logo, logo tu se acostuma.

e sim, se tu é uma das crianças que escreveu para o papai noel do correios. hehehe. só n vale pedir o que nem eu tenho... sacou? hehehe.

bjocas e saudades.............. mas já passou.

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