Pular para o conteúdo principal

Jornalismo, meu amor de infância


Há um mês eu chegava em Porto Alegre. Era um Sábado e no dia seguinte teria uma prova a executar. Participaria então do primeiro - e se depender só de mim, do último - concurso público para assessor de comunicação. Até meu irmão fez... Ele eu não sei como foi, mas eu levei ferro na prova de informática. Zerei! Um horror gente, um monte de print screel de páginas e word e excell, para serem analisadas com o propósito de responder uma questão, que para mim era grego. Sim, eu só sei utilizar os softwares. E basta para o meu cotidiano. Entender, analisar e responder já é outro papo...

Bom, a questão é que eu não estava nada disposta a realizar essa prova. Mas meus pais insistiram tanto, se ofereceram para custear as passagens e até a inscrição (era tão baratinha que eu mesmo paguei a inscrição...). Me ligaram tantas vezes no último dia de inscrição, que disse Sim! '

E lá estava eu, no Domingo (11), ouvindo um colega de profissão falar um monte de baboseira. Vou tentar lembrar as palavras exatas, em trechos. Fiz anotações sobre o assunto, mas, quando o fiscal me viu com a agendinha e a mini-caneta (presente de Natal da Tia Maria), veio correndo me avisar:

- Com licença?

- Oi. Pois não? Disse com um sorriso sonolento, mas simpático. Afinal era Domingo, estava cansada da viagem e ainda havia dormido tarde na noite anterior.

- Vocês não podem fazer anotações. Apenas a caneta, a identidade e o cartão de inscrição podem ficar sobre a mesa. Desculpe!

- Ah... Claro. Com tanta educação no pedido, recolhi meu material que continha as falas ditas pelo colega. Lá vão então, com minhas observações ao lado.


O Colega e o Jornalismo

1. Eu quero é ganhar dinheiro. Estou prestando concurso para ter horário fixo e salário certo. Não quero me incomodar com trabalho depois das 6 (da tarde). Alguém esqueceu de avisá-lo que ganhar dinheiro com jornalismo, só se ele não for jornalista...

2. Não quero ser repórter. Ter que ficar de plantão no final de semana, sem poder jogar meu futebolzinho no domingo pela manhã. Fez jornalismo pra que afinal, se o cara não tem tesão pra trabalhar na área?

3. Meus colegas, que se formaram, ganham uma miséria e se fodem trabalhando. Não tem tempo pra nada e ainda levam a empresa nas costas. Eu tô fazendo esse concurso justamente para cumprir minhas atividades naquele horário e, se quiser, fazer uns frilas depois, já que o horário é até às 5h (da tarde, de novo). Mercenário! E ainda criticou os amigos de faculdade. Na verdade deve morrer de inveja deles.

4. Eu não trabalho na área porque eu preciso ganhar dinheiro ao invés de salário. Atuo na área de informática. Ganho bem por isso. E tava fazendo o que ali? Jornalistazinho depressivo e deprimente. Esse é a legítima fruta podre. Êta boi!

5. Não me preocupo com a nota que tenho que tirar ou com a que tirei. Em concurso tu tem que ficar de olho na nota dos outros. Se tu tirou 2,0 na prova, tu não deve ficar preocupado, pois teu concorrente pode ter tirado 1,5. Olha o pensamento da criatura? Que continue tentando ser Nerd então. Se medindo por baixo ainda! É o fim da picada mesmo.

Meu amor de infância

O que me tranquiliza é que não deixo me afetar por essas criaturas do mal, que estão espalhadas pelo mundo e em todas as profissões. Prefiro continuar uma apaixonada pelo jornalismo e investindo na carreira e na profissão. Por isso que faço inglês; fiz MBA na área que quero voltar a trabalhar, mas desta vez na iniciativa privada; e ainda pretendo cursar mestrado em Semiótica. E, assim que possível, me atualizar no português, ainda mais agora com as novas regras ortográficas.

Se vale a pena investir dinheiro e tempo assim na profissão e na carreira? Financeiramente não, mas eu apenas sou jornalista por prazer, vontade e vocação. E ser uma profissional limítrofe é a única coisa que não me interessa nessa vida.

Comentários

Pra variar tá cheio de gente assim no mercado!Seus pensamentos foram perfeitod!Bjs

Postagens mais visitadas deste blog

Se o queijo mofou está estragado [1]

Errado! E só soube disso uma semana depois de ter posto aproximadamente um quilo de queijo colonial no lixo, cheia de dó no pensamento, no estômago e principalmente nos olhos. Logo eu, que sou como avestruz e como até pedra com pimenta do reino moída na hora [se não for assim eu não gosto].

O fato aconteceu logo que vim de casa, após comemorar meu aniversário com minha família e amigos do peito [Jana, sua jararaca, não se inclua nesse núcleo]. Na bagagem sempre trago vários mimos e a cesta básica patrocinada pelo Araújo. Mas, dessa vez, tinha algo a mais: duas metades de queijo redondo, de diferentes sabores, no estilo colonial.

Depois de uma semana degustando o melhor deles, aquele mais branquinho e molinho, levemente salgado - diria que quase um polenguinho - decidi saborear o outro, mais amarelinho, sequinho e oleoso, com doce de leite. Dez dias a base de queijo e salame e enjoei. Sob orientação da minha mãe, deixei os queijos num pote bem ventilado, a sombra.

Mas a umidade no Flat fo…

Sóis

Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir.
Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos.
E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação.
Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades dentro de mim. E quand…

Nos phones: Todo homem

O sol Manhã de flor e sal E areia no batom Farol Saudades no varal Vermelho, azul, marrom Eu sou Cordão umbilical Pra mim nunca tá bom E o sol Queimando o meu jornal Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu Espuma de maça Barriga, dois irmãos O meu Cabelo, negra lã Nariz e rosto e mãos O mel A prata, o ouro e a rã Cabeça e coração E o céu Se abre de manhã Em abrigo, em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe