Pular para o conteúdo principal

Onde estarão meus sapatos...


Meu lar é onde estão meus sapatos
Meu lar é onde estão meus sapatos
Um pouco em cada pedaço e lugar





Nos últimos dias eu tenho me sentido assim; como esta música de Sá e Guarabira. “Meu lar é onde estão meus sapatos. Um pouco em cada pedaço e lugar”. Talvez seja a proximidade do Natal e Reveillon e aquele lance de sanar a saudade da família, buscar consolo com os velhos (e sábios), rever amigos, ficar emotiva pela proximidade do aniversário de Cristo e aquele lance todo de perdoar e ser perdoado. De amar e ser amada. E os presentes? Apenas desculpa para se manter próximo de quem se ama por meio de objetos que são dados com este claro intuito...

Hoje eu troquei a folhinha do calendário e fiquei chocada. Novembro... E em menos de 60 dias está o Natal e a virada do ano. E depois de janeiro e do carnaval, vem o período de volta às aulas, novos projetos, perspectivas, dificuldades, vitórias... Tudo de novo! Mas o amanhã não me preocupa tanto quanto o hoje, o agora... Ontem, por exemplo, aconteceu a festividade dos 25 anos da Radio Ipanema FM, no Anfiteatro Pôr-do-Sol, a beira do Lago Guaíba. E me veio tantas lembranças de amigos saudosos e faltosos, de momentos de alegria, risos, sustos e bebedeiras e chapação e amparos psicológicos, de discussões ideológicas e coisa e tal. Não senti falta ou saudade desses momentos, mas das circunstâncias, das possibilidades, das oportunidades...

De repente me dei conta que a Feira do Livro já estava rolando e me vi, como sempre, uma semana antes, quando as tendas começam a ser montadas e o clima de total paz literária já envolve a Alfândega. Mendigos vêm oportunidades de conseguir uns trocados recitando poemas e poesias esquecidas em suas memórias, que de repente surgem para encanto dos passantes e desconfiança de outros. Senhouras cleptomaníacas saem de casa com suas bolas chiques e gigantes para guardar a féria do dia. E os falsos intelectuais se aglomeram pelas vias dos palanques de autógrafos e da banca de lançamentos para empilhar as novidades em suas estantes para depois convidar os amigos para bebericar no final da tarde, em sua sala de estar, antes de sair para uma balada Cult. Mas, até esse momento, eles circulam pela Feira, cada dia com um ou o mesmo livro até, naquela sacolinha plástica e característica para demonstrar que passou por ali (e gastou todas as economias do ano para fazer média, como todas as edições).

Senti falta desses olhares, entre milhares de outros que só se percebe quando se vive o momento. Então chorei, ouvindo Nei Lisboa cantar Hi-Fi pela internet e anunciar o Show de 10 anos desse álbum que eu tanto amo. Chorei novamente hoje porque mais uma vez me vi estagnada, sem crescimento pessoal e profissional, sem nada de próspero para contar de mim, a mim mesmo. Chorei por querer ficar afastada mais um ano de problemas familiares que não me pertencem, que não fui que gerei, mas que também me sinto responsável porque afinal sou filha e irmã e se eles soubessem dos meus problemas, sentiriam o mesmo por mim. E a pouco, falando com meu pai, percebi que não tenho o direito de tirar a ilusão de nenhum deles, seja a meu respeito ou de qualquer outro assunto. Por que se eu estou triste por ter perdido a minha, que direito tenho eu de gerar a mesma tristeza em outras pessoas, que ao contrário do momento que vivo, me amam incondicionalmente. E essa constatação me faz chorar de novo...

Por isso que canto Sá e Guarabira, para me convencer: “A gente tem que saber ser dono do nosso destino. Partir se tem que partir. Ficar se tem que ficar.”



Comentários

janaína disse…
agora entendi o pq da msg a uma da manhã...
estava dormindo, acordei c/ celu berrando, li a msg e pensei putz e agora de quem eu vou filar uns cigarros quando estiver bebendo com a nane no pinguim.....
eu parei a mais de um ano, as vezes pego um cigarro aqui, outro ali, mais dois acolá mas não passa disso
he he he he
passa o ano novo comigo e com o pp em balneário, vc vai se sentir "em casa"
bjs
Jana, acabei de falar com minha irmã. Ela disse que vai para casa somente no Ano Novo. Então, nada de me refestelar por outras bandas no Reveillon. Vou pra Porto, bá, tri legal! Pensei em vcs e em Balneário também. mas n vai rolar. Vou pra casa mesmo. Porém, até lá tb mta água pode rolar. Se o for no Natal, de repente eu pego um sol e salgo o corpo com vcs. Vamos esperar. Bjocas
janaina disse…
quem sabe em 2009 então
he he he
se o Pp não mudar os planos ele passa natal em Poa
não esqueça que eu não moro em balneário..
ha ha ha ha
Nanda Assis disse…
oi amiga, vc sabe mesmo escrever, muito prazeroso ler, mas senti uma certa tristeza.
desejo felicidades a ti sempre.
lindos sapatos.
bjosss...

Postagens mais visitadas deste blog

Se o queijo mofou está estragado [1]

Errado! E só soube disso uma semana depois de ter posto aproximadamente um quilo de queijo colonial no lixo, cheia de dó no pensamento, no estômago e principalmente nos olhos. Logo eu, que sou como avestruz e como até pedra com pimenta do reino moída na hora [se não for assim eu não gosto].

O fato aconteceu logo que vim de casa, após comemorar meu aniversário com minha família e amigos do peito [Jana, sua jararaca, não se inclua nesse núcleo]. Na bagagem sempre trago vários mimos e a cesta básica patrocinada pelo Araújo. Mas, dessa vez, tinha algo a mais: duas metades de queijo redondo, de diferentes sabores, no estilo colonial.

Depois de uma semana degustando o melhor deles, aquele mais branquinho e molinho, levemente salgado - diria que quase um polenguinho - decidi saborear o outro, mais amarelinho, sequinho e oleoso, com doce de leite. Dez dias a base de queijo e salame e enjoei. Sob orientação da minha mãe, deixei os queijos num pote bem ventilado, a sombra.

Mas a umidade no Flat fo…

Tabaco em pó

Ah, meu trabalho me diverti! No cotidiano do jornalismo, quando estou apurando as informações, encontro de tudo: gente normal, gente doida; assassino, polícia; travesti e religiosas. Tem até um senhor, cheirador de rapé.
É o seu Willi. Ele é um velhinho alemão, simpático, com forte sutaque que denuncia sua origem. Ó conheci hoje. No meio de uma entrevista, onde ele entrou de gaiato, puxou do bolso o porta fumo em pó dele e deu uma cheirada.
"Eu nunca fiquei resfriado ou doente fumando rapé. Esse eu ganhei (n lembro de onde veio o fumo, mas era importado), mas eu também faço. Ontem mesmo foi a Jussara lá buscar. Olha o cartão dela aqui. Ela é massoterapeuta", disse o alemão.
Divirtido o senhor, que tem várias manias, além de cheirar o pó perfumado e fino, quase uma poeira. E advinhem, ele me ofereceu e eu aceitei. Pus no dorso da mão, entre o polegar e o indicador e mandei ver no narigão chato. A inexperiência me fez cheirar tudo numa narina só. Não tenho a prática do velhinho,…

Uma pegada forte e 15 dias

Faz tempo que não escrevo sobre sexo. Talvez por que venho praticando pouco. Ou a qualidade tenha decaído. Creio que é isso. Tem muito cara se achando por aí. E não tem idade. É jovem, maduro ou... vividos.
Não me lembro de ter transado com um cara jovem que não fosse afoito. Imagino que pensam que basta meter, forte, que a mulher afrouxa a musculatura e goza. Sei não...
Já os maduros apostam na experiência para agradar sua parceira. E expressam isso. Eu chupo, eu pego, eu belisco... Na hora da cama, eles não sabem nem tocar uma mulher com volúpia. Quem dirá cumprir todas as falsas afirmações. E pior: tem homens maduros que não curtem “cunnilingus”, mas adoram uma felação. Que merda. Há machismo até no sexo. :o E tem os vividos, o sexo sênior. Desculpa aí, mas tenho pouca experiência nessa área. Ufa! Ainda bem. No entanto, se o Djavan me pedisse qualquer coisa chorando, eu faria sorrindo, ajoelhada. Ou coisa parecida. J
No meio de tudo isso tem “os caras”. Os que sacam do paranauê. E qua…