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Lady Day


Minha amiga Mirela acertou em cheio ao me dar esse mimo de aniversário. A autobiografia de Eleanora Fagan, conhecida como Billie Holiday, é envolvente. Comecei a ler sobre sua vida esta semana. E de cara senti vontade de devorar o livro, que tem pouco mais de 240 páginas. Mas fiquei pensando: Elaine, tu tem que trabalhar amanhã e depois, nenhum livro que tentou ler até agora a satisfez tanto quanto esse. Então, economiza as páginas. É o que estou fazendo, lendo cerca de dois a três capítulos por noite.
A última vez que me lembro de ter lido algo que tenha gostado tanto assim foi quando minha amiga Márcia me presenteou com Memórias de Minhas Putas Tristes, do maravilhoso Gabo. E também com o mimo de aniversário da Lilian (que agora vai ser mamãe, realizando um sonho antigo), com A Casa da Esquina, de Duca Leindecker. E isso lá se vão dois anos... Muito tempo sem o prazer de ler! Mas agora, a Mimi mudou tudo isso com Lady Singx The Blues – A autobiografia dilacerada de uma lenda do jazz.
E sim, adoro jazz! Muitas pessoas pensam que eu tenho gosto estragado para a música. Sou negra e não gosto de pagode – mas amo samba, samba de raiz, samba-canção, até samba enredo. Sou gaúcha e não gosto de rancheira e muito menos de sertanejo, mas cedi ao gosto popular dos videirenses, que amam um bailão, porém, ainda tenho limitações aos dois estilos. Eu amo mesmo é a MPB, o Jazz e a Black Music. De quebra vem os diversos que caracterizam a “música do mundo”, também admiro o Tango e música portuguesa, francesa e espanhola. O Blues eu curto, no mesmo nível que o reggae. Todos dizem que o blues é um som de alma, mas, para mim, o que é vivo, tem alma, emoções é o jazz.
Talvez seja por tudo isso que esteja gostando muito de ler o mito do jazz: Billie Holiday. Entre as décadas de 1930 e 1950, ela foi criadora de um modo peculiar de viver e de cantar que marcou a carreira de uma série de cantoras norte-americanas, como Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Eu tenho um CD dela. É uma dessas coletâneas de músicas de um artista, lançado como brinde de revistas, numa série do gênero. The Jazz Masters – 100 years of Swing. Eu estava no Rio de Janeiro, há uns dez anos atrás, quando numa das minhas idas ao Centro Histórico, parei em frente a uma banca de revistas e estava lá, a promoção: R$ 3,99 cada CD com a revistinha contendo um breve relato sobre a vida do artista. Resultado: trouxe para casa o que pude comprar do balaio. Benny Goodman, Billie Holiday, Stan Getz, Count Basie, George Adams com sua orquestra – Don Pullen Quart – e o maravilhoso Charlie Parker. Miles Davis eu adquiri depois e fui logo enfiando o pé na jaca, na época, comprando King Of Blue. Mas valeu a pena.

Resumo do livro

A grande dama do jazz morreu pobre, viciada em heroína e já praticamente sem voz. Somente depois de morta foi reconhecido seu papel de vanguarda na criação e popularização de um estilo musical que veio a conquistar adeptos no mundo todo.
Nessa autobiografia, Billie conta de maneira pungente e dramática a história de sua vida conturbada, da infância até o início da década de 1950. Expõe cruamente seus percalços com a polícia, a perseguição que sofreu por parte da imprensa, os dissabores amorosos e os meandros do submundo das drogas e do showbiz.
O texto final é do jornalista William Dufty, do New York Post, amigo da vocalista. Nessa edição brasileira, o relato do que aconteceu a Billie do início da década de 1950 até sua morte trágica, em julho de 1959, é feito pelo crítico de música Roberto Muggiati. Ilustrado com fotografias da cantora; inclui discografia atualizada, por Vincent Pelote; e discografia adicional, indicação de livros, DVDs e tributos, por Roberto Muggiati.

Título: Lady Sings The Blues
Subtítulo: A AUTOBIOGRAFIA DILACERADA DE UMA LENDA DO JAZZ
Autor:
Billie Holiday, Roberto Muggiati
Editora: Jorge Zahar
Assunto: Artes-Música


Comentários

Dois Rios disse…
Minha linda carvãozinho,

Cada vez te adimiro mais!

Gosto bom para a música. Jeito peculiar de escrever e uma alegria que vaza pelos textos.
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Essa de economizar as páginas do livro valeu todo o texto, rsrs... Você tira humor de onde nem se imagina.

Beijos meus,
Inês

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