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Coluna Cor de Rosa e Carvão


Nova ortografia da língua portuguesa

Os meses foram passando e virando anos. Agora, depois de passados 18 anos de sua elaboração, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa promete finalmente sair do papel. Desde o ano passado o debate ficou acirrado e ações foram tomadas pelo governo brasileiro, que colocou o Brasil como o primeiro país que integra a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a adotar oficialmente a nova grafia, já a partir do ano que vem.
Dessa vez, pelo menos desta vez, eu gostaria que fossemos os últimos. Para que tivéssemos mais tempo para que todos tivessem tido a oportunidade de conhecer as regras ortográficas atuais. Penso que é difícil ter o domínio do português. Até hoje eu aprendo um pouco mais a cada dia e mesmo assim é insuficiente, principalmente para mim, cuja morfologia correta e a gramática são meus instrumentos de trabalho. Mas confesso que considero a língua portuguesa uma das mais bonitas do mundo. Poética. Elegante.
Mas tudo isso vai acabar para mim a partir de 2009, quando todos teremos que reaprender a ler e escrever o português. A princípio, as novas regras serão obrigatórias inicialmente em documentos dos governos. Nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso do trema e sistematiza a utilização do hífen. No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Pode ser considerado pouco para a maioria, mas eu, no meu conservadorismo lingüístico, acredito que é muito. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.
Entre os países da CPLP já ratificaram o acordo Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. Ainda não definiram quando irão ratificar o documento, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. A assinatura desses países, porém, não impede a entrada em vigor das novas regras em todos os países, pois todos concordaram que as mudanças poderiam ser adotadas com a assinatura de pelo menos três integrantes da comunidade. No Brasil, o acordo firmado em 1990 foi aprovado pelo Congresso, cinco anos depois. Agora, a implementação definitiva depende apenas de um decreto do presidente Lula, ainda sem data para ocorrer. Ainda bem!
Porém, minha felicidade é passageira. O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 acontece o período de transição estipulado pela pasta para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros didáticos para todas as séries. Mas como tudo pára quando acontece um processo eleitoral no meio, talvez o prazo seja espichado...

Comentários

Dois Rios disse…
Querida,

Como dizia a minha mãe, eu já fico imaginando o angú de caroço que isso vai dar.

A última mudança na acentuação gráfica ocorreu em 1971 e até hoje me deparo com um monte de gente acentuando o que não deve, rsrs...

Haja cabeça para tantas mudanças!

Beijos meus,

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