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Eu amo o Fred!



Ando de cara com o meu computador. Mesmo que ele seja um marco inicial da minha renovação. Depois de anos de desleixo material e pessoal decidi tomar vergonha e investir tecnicamente e culturalmente na minha vida. O Fred Astaire, nome tão carinho que dei a ele, foi importante para mim nessa fase.

Adquiri o equipamento num período em que tinha dois empregos; um em cada cidade da região metropolitana, para complementar meu orçamento. Os salários eram baixos, o trabalho intenso e a locomoção muito precária. Tem que ter muita vontade e necessidade para andar de Transversal Metropolitano entre Viamão e Cachoeirinha, cruzando por Gravataí e outras paragens - TM 2 percorre 76,5 km, interligando os municípios de Viamão, Alvorada, Gravataí, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul e Esteio.

Não tinha computador e o equipamento era essencial para o início da minha vida profissional de jornalista. Não tinha como escapar. Então, pesquisei na Dell Computer, semanas a fio, uma máquina que me agradasse e coubesse no meu bolso - meu sonho era um note book da Dell. Depois de muitos orçamentos, percebi que esta proposta se adequava ao meu perfil econômico, pelo menos nessa década. Foi aí que pesquisei numa outra empresa, especializada em boas configurações e equipamentos de primeira. Levei um mês negociando, mas comprei o Fred.

Foi uma felicidade! Ele levou uma semana para ser ‘gerado’ e entregue para a mamãe aqui. O meu pedido foi atendido pelo vendedor, que me forneceu uma máquina que teria eficácia e não apresentaria problemas por cinco anos. Pois então, parece que instalaram um dispositivo de validade dentro do Fred. O bicho agora está reinando.

Em novembro ele teve a fonte queimada. Foi o primeiro sinal de que ele estaria entrando na terceira idade. Depois, começou a se auto-desligar, bem no meio da produção dos meus textos ou de conversinhas pelo MSN (não sou de ferro não, também me distraio com a internet). Agora, o drive de CD não funciona mais! Melhor, funciona somente quando ele quer.

Que agonia... Logo o drive de CD?! Como vou ouvir meus discos de jazz e blues em tardes de chuva, como hoje, se ele não funciona? Não é prático ficar levantando a cada 40 minutos, durante a produção das matérias, para trocar o álbum no aparelho de som, que fica do outro lado do quarto, se o computador está ao lado, ao alcance da mão... Não é preguiça não. Prefiro o som do aparelho de CD do que do computador, mas é prático ouvir no Fred.

Estou com dó e ao mesmo tempo com raiva dele... Mas tenho que ser compreensiva e me preparar para o fim da nossa relação. Em breve terei que dizer adeus ao Fred Astaire, que já entrou e saiu da enfermaria. Antes que ele entre para a UTI e não saia vivo de lá, vou desencarná-lo da minha vida.

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