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Novo DNA


Já passava da meia-noite e como sempre ela estava atrasada. Muito atrasada. O encontro estava marcado para as 19h. Era um happy hour entre as amigas, que há muito não se encontravam.
A Sofia todos já conhecem. Ela nasceu atrasada, só pode ser... Nunca consegue cumprir horário. Nunca é um exagero, claro, mas dos 100 compromissos, 90 ela está além da hora. Mas a Regina, ah... Essa é chega a dormir na poltrona da sala para não perder a hora do vôo. Para que conforto quando se quer sair em tempo de fazer o check in?
Então foi justamente a Regina que não apareceu a tempo de fazer a reunião do trio. Mas Sofia e Nice deram conta do recado e até demais! Mesmo que Sofia não tivesse chego com 60 minutos de atraso, faltaria tempo para tantos assuntos, risos, comes e bebes no Café Cataventos da Casa de Cultura Mário Quintana.
Já eram 23 horas quando Nice decidiu ir embora. Convidou a amiga para pernoitar na sua casa e dar seqüência a longa conversa, mas Sofia recusou. Estava cansada, pois havia chego de viagem naquela manhã e embora o cochilo na tarde, ainda não havia se recuperado. Então, cada uma rumou para sua casa. Porém, minutos depois Sofia recebe uma ligação de Regina, que com a maior cara de pau pergunta:
- A Nice já foi embora?
- Sim, embarcou no táxi e foi.
- E tu vais fazer o quê agora?
- Eu estou no ponto de ônibus. Aliás, estou embarcando agora.
- Que tal tomar uma ceva no Ossip?
- To indo pra lá então!
Sofia não resiste a um convite para balada. Para dormir ela recusa, mas para ficar acordada...
Menos de 15 minutos depois está ela no Ossip, em meio a multidão da calçada, a espera de Regina. Como conhece a figura, pede uma cerveja no bar e volta para a calçada, que é bem melhor que a da “fama”. Em seguida decide dar um role pela João Alfredo e antecipar qual a melhor pedida da noite. Bongo, claro, mas já estava bongando há horas, já que se aproximava da meia-noite e a fila dobrava o cabo da boa esperança. Preto Zé, Parafernália, Nega Frida... Tudo a base do sambarock. Aliás, a rua deveria mudar de nome para Rua Bedeu, por exemplo. Seria uma bela homenagem.
Nesse vai e vem toca o celular de novo e era a Regina. Sofia pensa que ela vai dar uma desculpa e que vai demorar mais 50 minutos para chegar, mas não. Ela estava na João Pessoa e em breve estaria perto de remexer as cadeiras ao retumbar dos tambores. Então, Sofia se aproxima do bar da esquina novamente e se prepara para o abraço.
A guria-mulher tava com saudades da amiga tratante e da parceria para a noitada. Sabia que coisa muito boa iria acontecer em breve. A começar pelas boas risadas já no instante que a veria. Nice já havia comentando sobre o “novo DNA” que a amiga havia adquirido, mas não estava acreditando. “Se isso te deixa feliz, que bom!” Havia repetido Nice para a amiga ao comentar sobre Regina.
De longe ela avistou Regina. Ela é uma guria-mulher também, um ou dois anos mais nova que Sofia, de estatura pequena, quadris grandes para a pouca altura e cintura larga. De cabelos medianos, carapinha, característico da raça negra.
Regina já perto abre o sorriso e corre para o abraço de Sofia, que já dá gargalhadas e fala bobagens, olhares avaliativos. Ela lembra do que havia acontecido consigo pela manhã e, também, de uma propaganda do shampoo Colorama que fez muito sucesso na década de 70. "Ei, você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas os meus cabelos, quanta diferença..."
- Regina, o que aconteceu com teus toin toin?
- Pois é guria. Cheguei para a minha cabeleireira e disse: preciso de um novo DNA. E o resultado, depois de deixar todo o meu dinheiro no salão, foi este. Fiquei lisa. Adorei!
- Ta que é uma índia Potira agora, he he he.

Comentários

Anônimo disse…
Tchau Elaine!
Boa viagem, vou sentir saudades...

Putz, 40% muda uma pessoa, imagina se fosse os 100%.
Foi embora a francesa, ficou devendo para alguém?
he he he
Sua louca
Bj
Betty Boop já estou com saudades, mas adorei o chimas no parque, o rango e o bate-papo no buzão. Ah, adorei minha caneca tb, he he he. E na próxima oportunidade, faremos a viagem no bus turist.
P.S.: eu sempre saio a francesa. Sou chique bem, he he he. Também sempre fico devendo... Te espero por aqui.

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