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A morte pede passagem




Ela pediu e ele deixou a morte entrar... Assim aconteceu com seu Alexandre ontem, mas só fiquei sabendo hoje à tarde. Não gosto de velórios e nem de enterros, aliás, quem gosta? Mas ir se despedir do seu Abdalla não foi problema. Mas será a partir de amanhã, quando descer a rua e não o encontrar mais dando fé pela Arlindo de Matos e me chamar de linda e me dizer palavras de apoio. Sim, ele sabia quando estava triste, apressada, despreocupada, irritada...

Não éramos íntimos, mas houve empatia de cara. Ele, sempre galanteador, eu, sempre sorridente e "dadinha", hehehe. Muitas vezes, quando conversava com o velho Abdalla, pouco entendia, pois seu sotaque ainda era forte e eu nunca fui boa de ouvido. Puxei pelo meu pai. Não ouço as pessoas. Mas gostava dele. Era um velho encantador e bom, como poucas pessoas são nessa cidade.

Fiquei triste. Primeiro fiquei chocada com a notícia, depois triste. Não tinha como não ir ao velório, aliás, nem titubiei. Lá, no pavilhao, tava indo tudo bem. Eu estava controlada até decidir cumprimentar a filha antipática, virginiana do dia 7 de setembro também. Ela estava lá, ao lado do caixão do pai e a cena me comoveu, porque já tinha ouvido o histórico, as circunstâncias em que ocorreram a morte do árabe. Então, me dei conta de que tudo é efemêro nessa vida, até mesmo a própria vida. E que para morrer, basta estar vivo - como sempre digo.

Só que ao vê-la ali, tão desamparada, contrário da imagem cotidiana e altiva, lembrei que tb tenho um pai, que nesses dois anos esteve bem perto de nos deixar. Olhei para a mãe dela e vi que de força nós pouco temos nessas horas. E me lembrei da minha mãe. E como sempre, as palavras de conforto me faltaram...

Então fui falar com a virginiana arretada. Ela me disse algo que não me recordo, mas do final lembro: ele era teu amigo né? Pronto, foi o que bastou para me sensibilizar... Não conceituaria dessa forma, mas poucas pessoas que me relaciono aqui souberam me dizer o que precisava ouvir, em poucas e precisas palavras, como ele me disse logo que vim morar aqui, no prédio verde, pelo seu próprio intermédio.

Eu sorria, mas queria chorar. Conversava, mas queria ficar muda. Trabalhava, mas queria ficar vagando em pensamentos em branco. Ele estava sempre lá, a me observar, a sorrir e me chamar de linda. Mas um dia ele me olhou e nem perguntou como estava. Não eram 8h e estava descendo para ir ao jornal, numa daquelas tentativas insanas de me centrar na atividade. Um dia de sol. E me disse... Um estranho me leu a alma...

Então, se fosse analisar por esse prisma, sim Michelle, ele era meu amigo. Mesmo que meu momento fosse óbvio, ele me alertou. Me chamou de volta de onde estava indo e me pôs em mim. Na hora, não titubiei e acenei com a cabeça, com quem disse. Sim, ele era meu amigo.

Comentários

Anônimo disse…
Que lindo!

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