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seu Caramujo


sim. mais um virginiano em festa. meu pai! êta vontade de estar ao teu lado velhinho... 72 anos.

o seu Caramujo, como era chamado pela gurizada da rua, era muito chato. o pai implicava com todos na rua. queria tudo certinho, com respeito, no silêncio. impossível, hehehe. era um bando de adolescentes ruindosos, briguentos, arteiros, namoradores, barulhentos.

eu era alguns anos mais nova, não pertencia ao grupo, mas, mesmo se fosse ao contrário nem poderia, afinal, era filha do seu Caramujo, hehehe. mas meus irmãos e eu aproveitamos o possível. fazíamos festas nas ruas adjascentes a nossa, assim ficávamos longe dos olhos do velho.

mas o tempo passa, a vida muda, coisas acontecem com todo mundo. a gurizada cresceu e muitos, hoje, são profissionais liberais, como advogados e jornalista (hehehe), empresários, donas de casa, ex-presidiários, investigadores, seguranças, cabo-eleitorais (hehe, tem até isso), amantes. e o mais interessante, todos abaixam a cabeça para o seu Caramujo agora. há anos alguns voltaram para o bairro, para a esquina da Fião com a Delfino. compram no mercado da esquina, que já teve vários donos, mas há anos é dos Scartezini. passam na frente de casa todos os dias. e sempre páram para um bate-papo bem amigável com o seu Caramujo.

quando o velho amputou a primeira perna, a gurizada sentiu. quando o pai cortou a segunda; a gurizada o visitou. quando o pai enfartou; a gurizada ficou com receio. todos nós ficamos... imagina perder o velho chato, metido e chabição que é o meu pai? ninguém queria.
por isso seu Caramujo, muitos anos de vida; com saúde até o final desta que conhecemos e que rôgo que ainda demore a findar. muitas felicidades junto aos seus entes amados, que o amam mais do que imagina, mais do que digo a cada ligação. que tenhas muitas e muitas alegrias. os sonhos... ah, os sonhos... que se renovem a cada realização, para que sempre mantenha a esperança de que tudo pode continuar bem e ainda melhor. eu sei disso pai. creia.

eu te amo velhinho!

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