Pular para o conteúdo principal

Família Dinossauro




Essa semana me bateu uma saudade forte no peito, daquelas que aperta demais o coração e que dá vontade de ligar para casa, mesmo que fosse só para falar banalidades. Mas não liguei não. Porque saberia que nem conseguiria dizer o "alô" que já iria sair chorando.Então resisti.


Nesse momento lembrei do que meu astrólogo me disse, há quase três anos e que vierem acontecendo nestes últimos 30 meses. E na época, tudo estava tão distante da minha realidade, que não acreditei. Mas agora tá documentado no meu mapa astral, tá anotado no meu caderno de sentimentos, tá postado aqui, tá fotografado. Não tenho como negar. Assim como não posso evitar a falta que faz a minha família, assim como não posso negar a força que eles me transmitem, a cada acontecimento em minha vida. Digo, não posso mais negar esse apoio emocional que eles me dão, que me coloca em pé e me clareia as idéias.


Essa relação ficou tão clara entre nós, que quando meu peito se encheu de saudades, meu coração começou a bater mais devagar, meus olhos molharam e assim passei o final da semana, até ontem quando meu pai me ligou. Ele nunca telefona. Minha irmã está há mais de 10 anos morando no Rio de Janeiro e, com exceção de aniversários, natal e reveillon, só liga quando ninguém dá notícias durante mais de dois meses. E a gente nunca fica sem ligar por tanto tempo assim. Ele sabe disse.


Eu ligava para casa toda semana, às vezes mais de uma vez. Logo que cheguei aqui, eu ligava para casa a cada dois dias. Depois o tempo foi passando, eu me acostumando com a distância e me entretendo com as novidades de meu novo cotidiano. Até que já fiquei 15, 21 dias sem ligar para casa. Mas ontem não. Seu José foi mais rápido. Ele pediu para meu irmão discar os números (ele não gosta disso. o véio é bodoso. odeia fazer interurbanos, aliás, n gosta muito de telefone) e já falamos banalidades de irmão também, no código dos pretos, hehehe.


Então, seu José pegou o telefone e disse alô. Ele percebeu um tom de tristeza na minha voz e antes que eu dissesse os motivos e começasse a chorar, desconversei. Há muito não me dou o direito de incomodar quem não tem pernas, não tem veias livres de nicotina e gordura, mas que ainda guarda disposição, vontade de viver, boa vontade e carinho para os filhos. Mas fica difícil se conter quando ele diz que tá com saudades e que me ama.


Minha mãe também me ama e também sente saudades. Sei disso, mesmo ela não explicitando. Mas não tem como perceber quando se chega em casa, às 6h da manhã, e ela abre aquele sorriso torto de sono, ainda com a cara inchada, da um abraço forte e um beijo no rosto e começa a contar as novidades, enquanto prepara o café.


Então, mediante isto tudo eu me animo, esqueço meus reles problemas e volto a sorrir.

Comentários

Barbara disse…
tb sinto saudades...
Silvia disse…
Avante Nêga..somos mais fortes que essas pedras que cruzam nossos caminhos... e além disso agosto está terminando, porque o mês fia da puta esse heim...

Postagens mais visitadas deste blog

Se o queijo mofou está estragado [1]

Errado! E só soube disso uma semana depois de ter posto aproximadamente um quilo de queijo colonial no lixo, cheia de dó no pensamento, no estômago e principalmente nos olhos. Logo eu, que sou como avestruz e como até pedra com pimenta do reino moída na hora [se não for assim eu não gosto].

O fato aconteceu logo que vim de casa, após comemorar meu aniversário com minha família e amigos do peito [Jana, sua jararaca, não se inclua nesse núcleo]. Na bagagem sempre trago vários mimos e a cesta básica patrocinada pelo Araújo. Mas, dessa vez, tinha algo a mais: duas metades de queijo redondo, de diferentes sabores, no estilo colonial.

Depois de uma semana degustando o melhor deles, aquele mais branquinho e molinho, levemente salgado - diria que quase um polenguinho - decidi saborear o outro, mais amarelinho, sequinho e oleoso, com doce de leite. Dez dias a base de queijo e salame e enjoei. Sob orientação da minha mãe, deixei os queijos num pote bem ventilado, a sombra.

Mas a umidade no Flat fo…

Sóis

Sexta-feira de manhã. Não precisei abrir o aplicativo que controla meu ciclo menstrual para saber que estava de TPM. O mau humor era latente e já o percebia insuportável até para mim. E chovia. Muito. Dia perfeito para ficar em casa, hibernando, como costumo definir dias e este estado de espírito. Mas não. Tinha que encontrar um amigo-cliente, que ontem estava sem comunicação via smartphone. Não havia escapatória. Teria que ir.
Fechava assim meu período de pré-aniversário, antecipadamente. Não suportaria mais uma semana. Teria eu mesmo que dar o start em novas energias e começar Setembro com os dois pés direitos.
E hoje, no primeiro dia do mês, ainda cinza e molhado por aqui no Sul do país, um novo sol surgia. Mesmo que ainda de TPM, a virada do mês sopra em mim mudanças. Novos tempos. Renovação.
Fiz a mesma coisa que nos últimos sábados do calendário letivo. Acordei, peguei a mochila gasta e sai respirando o ar úmido e cheio de partículas de vida e possibilidades dentro de mim. E quand…

Nos phones: Todo homem

O sol Manhã de flor e sal E areia no batom Farol Saudades no varal Vermelho, azul, marrom Eu sou Cordão umbilical Pra mim nunca tá bom E o sol Queimando o meu jornal Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu Espuma de maça Barriga, dois irmãos O meu Cabelo, negra lã Nariz e rosto e mãos O mel A prata, o ouro e a rã Cabeça e coração E o céu Se abre de manhã Em abrigo, em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe