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Na madrugada de 24

Às 3:54 eu disse “oi Fred”. Como quem dizendo à máquina: estou de volta... Não tem explicação lógica sem ser o fato de que o puff já estava em frente ao computador, de que estava sem sono, de que está chovendo (e fico nostálgica quando o tempo está assim) e não tenho vontade de ler, nem de trabalhar.
O tesão pela leitura já se foi há meses. Disse-me que só iria comprar um cigarro avulso e já voltava. Então faço as contas, olhando para a pilha de livros que se acumula ao lado da minha cama, no chão, e de outra que já guardei numa caixa. Se um maço, que tem 20 cigarros, fez com que um homem que saiu para comprar cigarros voltasse dez anos depois (conforme histórias urbanas), um avulso levaria minha vontade de ler retornar em seis meses... Mas já faz mais tempo que isso e após esse recesso temporário só li um livro, pequeno, no último trimestre do ano passado e ainda levei 15 dias para isso, mesmo que só lendo durante 20 minutos após o almoço.
3:57 disse o locutor do programa Insônia da Rádio Videira FM. “Finalzinho do programa Insônia...” E coloca Só pro meu prazer para tocar antes de ir embora. É o fim mesmo...
Menos para meus sentimentos. Meu coração e pensamentos são uns traíras. Não me deixam em paz um só minuto. Foi só abrir os olhos ás 2:30 da manhã que eles já começaram a me mostrar tudo aquilo que mais me incomoda, que me intriga, me faz falta, que sinto sozinha, que lembro sozinha. Segui todo o ritual de voltar a dormir, que às vezes funciona, mas não sempre, que foi ir ao banheiro, tomar água, que já deixo ao lado da minha cama, e mudar de posição. Fiquei ouvindo música, como sempre, tentando não pensar naquele que ainda mexe com meus sentimentos, mas não deu certo. Ás 3:20 levantei o corpo da cama e fui tentar a segunda alternativa de passar o tempo: cigarros e vinho na sacada.
Fui para a lateral do prédio, onde a vista é infinitamente mais vasta e melhor. Estava seco o chão, embora a chuva que não havia dado folga até então. Não tinha vento, então a chuva caia reto sem molhar a fachada do prédio. Fiquei vendo se alguma luz estava acesa, como sempre está e para a minha surpresa, nenhuma, além da iluminação pública e da fachada das lojas na Saul Brandalise. Pensei: as ruas de Videira são ótimas para se caminhar de madrugada, pois não têm cães soltos por elas. Também pensei em pegar minha sombrinha prata e ir fazer esse ato físico, até lembrar de que pela manhã teria que pegar chuva para ir trabalhar e caminhar bastante, então por que antecipar? Óbvio que desisti da idéia, até porque gosto somente de ver a chuva, ouvir jazz com ela ou fazer sexo. Me molhar está fora do roteiro...
Mudei de lado, voltando ao lugar de origem, mas que aos poucos vou trocando pelo outro lado da “laje” e comecei a analisar a logomarca de uma empresa de transporte rodoviário, que estava estampado na lateral de um caminhão estacionado: World Express. Ruim, mal feita, grosseira diria, mas que transmite o recado. A terra com uma rodovia que fazia a curva para envolver o globo. Não diria que o criador tenha alguma formação em designer para fazer aquilo, eu mesma não teria habilidade para fazer diferente, mas a idéia até que não é ruim, só a produção da marca. Mas, levando em consideração a qualidade da formação do curso aqui na cidade, não me admiraria que o artista se apresentasse, com orgulho do que fez, afinal, quem não ficaria orgulhoso de ter seu trabalho estampado numa frota de caminhão, com aceitação do seu cliente, que deve ter gostado já que fez os decalques. Então, como o cliente sempre tem razão, argumento válido na maioria das vezes, eu acato o trabalho alheio.
Já se foram 18 minutos da nova programação: Brasil Rural. E eu continuo em frente ao Fred, numa posição bem cômoda agora para digitar e olhar para o rosto dele (monitor). Bom, a segunda alternativa não funcionou, mas a terceira nunca falha. Escrever meus sentimentos, agonias, felicidade, tristeza, sobre meu amor, sobre meus amores. A chuva se intensificou e já espaireceu também. Sinto o sono voltar aos poucos, embora meus pensamentos continuem voltados para a mesma pessoa.
É chegada a hora de abrir esse músculo que pulsa, mas agora para o livro de memórias e sentimentos, que dormiu já ao meu lado, das 22:30 até ás 2:30. Esta na hora do segundo tempo... (4:25)

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