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Curtas e médias da madrugada

Sabe o que é o pior de tudo? É acordar no meio da noite com dor nos dentes em conseqüência do bruxismo, devido a uma ansiedade que não me deixa nem durante o sono.
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É constatar que, depois de no mínimo 15 minutos, tu pensa que vai voltar a dormir porque sabe que a dor já vai passar, mas então se dá conta que perdeu o sono porque o foco dos pensamentos mudou.
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Então, eu ouço o locutor da madrugada informar a hora e dizer que o programa “insônia” já vai terminar, porque faltam quatro minutos para as quatro da manhã de uma quinta-feira. Aí percebo que já estou acordada há 30 minutos e que não vou voltar a dormir tão cedo.
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Nesse caso fico imaginando o que pode fazer meu sono voltar, além do cansaço que geralmente só surge as cinco da manhã. Penso em assistir um filme sem vontade de ver, então desisto. A próxima opção é ler, mas lembro que os olhos ficam passando pela mesma linha, várias vezes, sem nada entender, e desisto novamente. A alternativa então é dar vazão ao pensamento, as constatações do dia anterior, na sacada, com um copo de vinho numa mão e um cigarro na outra.
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Até tomar esta decisão ouço novamente o locutor anunciando as horas durante a programação: 4h21. Então percebo que estou quase uma hora na cama, com as idéias em turbilhão, com conversas comigo mesma, com ilusões que não deveriam existir mais e conversando com outra pessoa, numa maneira de imaginar como seria caso tivesse coragem de dizer tudo que ocorre dentro de mim.
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O bom de tudo isso é que o Fred volta a funcionar. O receptor de quase todas as minhas confissões, que ouvi tudo calado, sem fazer juízo sobre o que digo, apenas ouvindo e registrando.
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Na sacada percebo a noite. Vejo a lua, a cidade em silêncio, as poucas luzes acesas. De longe vem o som das máquinas da Perdigão e fico pensando que se estivesse na praia poderia ser o som quem das ondas do mar. Isso me tranqüiliza um pouco.

Depois olho para os prédios e fico imaginando o que as pessoas fazem naquele momento. A maioria deve estar se preparando para mais um turno de trabalho na indústria. Eu gostaria de saber que não sou a única sofredora desta angústia, então penso que uma, das poucas luzes acesas, pode ser mais um insone e solitário como eu, assistindo a tevê para se distrair.
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Lembro então aa conversa com o César pelo MSN; meu amigo do peito, meu amigo, distante, mas do peito. Ele disse que não agüenta mais ler a frase no meu msn: exuberante e bem feliz. Pois então, esqueci de te dizer, que além de já saber quais são meus momentos de felicidade, e que faço questão de explora-los ao máximo, também conheço as situações e momentos de minha tristeza.

Fica tranqüilo César, que tenho consciência de que minha felicidade não dura 24 horas por dia, apenas cerca de 18 horas, arredondando. Às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos. Às vezes, até um dia inteiro, mas isto é raro ainda. Já aconteceu, mas tá longe de voltar a ser.
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A felicidade é saborosa, mas para mim tem uma conseqüência ruim, entre várias boas: ela me deixa improdutiva. Nesse momento de renovação, novas oportunidades, e que deveria agir, isso não poderia estar acontecendo.

Tenho tantas coisas para fazer, como o meu relatório da pós, por exemplo, e não tenho vontade. Apenas aproveito os momentos de lazer numa forma de dar vazão a esta sensação ou sentimento, não sei, talvez estado de espírito, pois sei que é a felicidade é passageira, indefinida, efêmera. Queria poder saber conciliar tudo. Sabia antes, mas agora a experiência sobre tempos nem tão antigos assim, me fazem agir diferente.
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Pronto. O pouco que podia, “falei”. Depois de mais um cigarro e uns goles de vinho branco do Romeu vou tentar voltar a dormir, a fim de minimizar a lombeira que vai me dominar durante o dia, hoje, depois destas horas acordada.
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Locutor: 5h23

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