Não tava agüentando mais e falei. Falei pouco, mas consegui dizer o que tava me apertando o coração. Diria muito mais coisas se tivesse coragem, se visse possibilidades ou tivesse abertura. Já que não posso, continuo guardando tudo dentro do Fred, até quando ele puder suportar, porque eu já estou no limite – e há tempos.
A louca das casas
Eu sou a louca das casas. Caminho pelas ruas, observando as casas bonitas. Passei a infância morando em casa com varanda e fundos. Foi só aos 9 anos de idade que migrei para os bloquinhos. Mas de prima percebi que ser guria de apartamento não trazia vantagens. Logo, desenvolvi uma paixão por casas; aquelas bem grande para dar conta de toda a família, de segunda à domingo, e em dias de aniversários. Mas hoje é tudo tão diferente... Elas são todas gradeadas. E mesmo assim, ninguém parece curtir os espaços ao ar livre, o pátio ou “a frente” ajardinada. Ao fundo de alguma janela, dá para ver que tem gente em casa. Às vezes... Tem sombras perceptíveis formadas pela luz tênue de algum abajur – luminárias para os elegantes. Não ouço vozes, nem de crianças brincando. Não tem entra e sai. Não tem frestas abertas para ventilar os ambientes. É tudo muito esteticamente insípido. E, claro, inodoro. Ao meio dia, meia tarde ou à noite, não há aroma de comida caseira. Não há ...
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