Pular para o conteúdo principal

Conversa de senhouras

Feio ou não, eu não pude evitar. Estava andando com pressa, a frente delas, indo rumo a um compromisso matutino.
Era em torno de 7h40 de uma manhã serenada, que umidecia a pele e resfriava o corpo. O anúncio era de tempo bom, mas só depois das 10 horas e ainda falta muito para isso.
Com pressa para não chegar atrasada e perder a entrevista, que sabe-se lá quando iria poder falar com a fonte depois, quando comecei a perceber a conversa ao fundo, as minhas costas... Eram três senhoras, que já havia visto várias vezes antes, mas no sentido contrário, quando elas já estavam voltando de seus exercícios matinais e aquáticos.
Uma delas estava indignada porque, deduzo, havia surpreendido o marido com outra (aonde também não pude apurar, a prosa já estava adiantada). Desabafava com as amigas sobre seus sentimentos de revolta perante a situação.
- Eu sempre fazia tudo, mas parece que não foi suficiente. Ah, eu fiquei com muita raiva... Não merecia isto...
Mas o tom já estava resignado. Creio que o acontecimento já é antigo, até porque para uma mulher de pouco mais da meia idade fazer esse tipo de desabafo é porque não é recente mesmo, além da sensação de vazio, desânimo, abandono; dos sentimentos de amor e ódio... Isso sempre vai ser atual.
As outras duas faziam comentários esporádicos, mas pontuais sobre o assunto, como se já tivessem passado por isto também. Como se seus casamentos não existissem mais e que nem estes sentimentos e sensações ainda estivessem ativos.
Dei várias tragadas no cigarro da manhã, que por hábito acendo quando sai à rua e faço o caminho do aclive. Pensava sobre o amor então e suas nuances...
Decidi apressar o passo para afastar os pensamentos, que no final pudessem me distrair no restante do dia. Mas, antes disso, dei uma olhada para trás vi as três senhoras convergendo à esquerda, na rua onde ficava a academia.
Um último pensamento passou pela minha cabeça sobre o assunto. "Não existe limitação de idade para as mulheres que amam demais..." Segui para o trabalho naquela manhã cinza, assim como elas seguiram para o cotidiano de suas vidas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o queijo mofou está estragado [1]

Errado! E só soube disso uma semana depois de ter posto aproximadamente um quilo de queijo colonial no lixo, cheia de dó no pensamento, no estômago e principalmente nos olhos. Logo eu, que sou como avestruz e como até pedra com pimenta do reino moída na hora [se não for assim eu não gosto].

O fato aconteceu logo que vim de casa, após comemorar meu aniversário com minha família e amigos do peito [Jana, sua jararaca, não se inclua nesse núcleo]. Na bagagem sempre trago vários mimos e a cesta básica patrocinada pelo Araújo. Mas, dessa vez, tinha algo a mais: duas metades de queijo redondo, de diferentes sabores, no estilo colonial.

Depois de uma semana degustando o melhor deles, aquele mais branquinho e molinho, levemente salgado - diria que quase um polenguinho - decidi saborear o outro, mais amarelinho, sequinho e oleoso, com doce de leite. Dez dias a base de queijo e salame e enjoei. Sob orientação da minha mãe, deixei os queijos num pote bem ventilado, a sombra.

Mas a umidade no Flat fo…

Uma pegada forte e 15 dias

Faz tempo que não escrevo sobre sexo. Talvez por que venho praticando pouco. Ou a qualidade tenha decaído. Creio que é isso. Tem muito cara se achando por aí. E não tem idade. É jovem, maduro ou... vividos.
Não me lembro de ter transado com um cara jovem que não fosse afoito. Imagino que pensam que basta meter, forte, que a mulher afrouxa a musculatura e goza. Sei não...
Já os maduros apostam na experiência para agradar sua parceira. E expressam isso. Eu chupo, eu pego, eu belisco... Na hora da cama, eles não sabem nem tocar uma mulher com volúpia. Quem dirá cumprir todas as falsas afirmações. E pior: tem homens maduros que não curtem “cunnilingus”, mas adoram uma felação. Que merda. Há machismo até no sexo. :o E tem os vividos, o sexo sênior. Desculpa aí, mas tenho pouca experiência nessa área. Ufa! Ainda bem. No entanto, se o Djavan me pedisse qualquer coisa chorando, eu faria sorrindo, ajoelhada. Ou coisa parecida. J
No meio de tudo isso tem “os caras”. Os que sacam do paranauê. E qua…

Tabaco em pó

Ah, meu trabalho me diverti! No cotidiano do jornalismo, quando estou apurando as informações, encontro de tudo: gente normal, gente doida; assassino, polícia; travesti e religiosas. Tem até um senhor, cheirador de rapé.
É o seu Willi. Ele é um velhinho alemão, simpático, com forte sutaque que denuncia sua origem. Ó conheci hoje. No meio de uma entrevista, onde ele entrou de gaiato, puxou do bolso o porta fumo em pó dele e deu uma cheirada.
"Eu nunca fiquei resfriado ou doente fumando rapé. Esse eu ganhei (n lembro de onde veio o fumo, mas era importado), mas eu também faço. Ontem mesmo foi a Jussara lá buscar. Olha o cartão dela aqui. Ela é massoterapeuta", disse o alemão.
Divirtido o senhor, que tem várias manias, além de cheirar o pó perfumado e fino, quase uma poeira. E advinhem, ele me ofereceu e eu aceitei. Pus no dorso da mão, entre o polegar e o indicador e mandei ver no narigão chato. A inexperiência me fez cheirar tudo numa narina só. Não tenho a prática do velhinho,…