Tipo comum
Eu sou um tipo comum. Sempre soube disso. Tão comum que várias pessoas já me confundiram com a melhor amiga, com uma parenta da cunhada, com a tia do fulano, com a colega de trabalho de antigamente e assim por diante. Sempre tem um sorriso franco me esperando dentro do ônibus, na contramão do passeio, num carro, no shopping...

Em raras exceções é tudo verdade. Surge um lampejo de lembrança e me vem tudo à memória. Nome completo, endereço, CPF. E as boas histórias construídas com a criatura. Mas coincidências realmente raras.
Teve uma vez que entrei no supermercado para comprar flores. Era aniversário de uma amiga e queria levar um mimo. Subi a rampa do estabelecimento, ao lado da minha tia, numa de umas visitas que fazia à família durante o período que morava em outro estado. Falastronas, as duas pararam em frente aos azeites. Ao lado estava um cara, escolhendo uma marca de azeite extra virgem.
Quando vi a criatura abri o sorriso e disse um Oi sonoro. Beijos, abraços e a pergunta de praxe ao primo que é chefe de cozinha.
- Procurando um bom azeite para cozinhar? - A criatura responde calorosamente, afinal, dos primos paternos ele era um que não via há anos. Mas vi que continuava feio e barrigudo. Bem afável, ele retribuiu a manifestação de carinho e a conversa. Rapidamente me despedi e deixei passar uns corredores. Voltei para minha tia e perguntei:
- Ué, tu não fala mais com o Oswaldo? Nem cumprimentou o guri!
- Que Oswaldo guria. Aquele cara não era ele. Pensei que fosse um amigo teu – Disse a tia, rindo muito da minha cara, ao lembrar dos beijos e do abraço apertado trocado com um estranho e falsário!
- E eu dei até beijinho e abraço pensando que fosse ele...
Olho pra trás para confirmar meu engano e lá estava ele, nos seguindo pelo super com seu carrinho. E sorrindo. Como quem quisesse mais e mais beijos e abraços e conversas estranhas... Já morta de vergonha e com medo do feio se aproveitar do meu equivoco, peguei a tia pelo braço e sai, de mãos abanando, do supermercado. Quase que a jato! Naquele momento, verifiquei com pavor, que o cara também parecia ser maratonista... Que sorria!
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