Postagens

45% e um destino

Imagem
Nas novelas turcas que assisto por streaming, as pessoas viajam em micro ônibus como esse da imagem. As personagens fazem uma mala pequena, geralmente uma bolsa de mão, e saem. Voltam para suas cidades natal. Geralmente uma cidadezinha do interior, onde elas se reconhecem... A pouco, um e-mail em minha caixa de entrada sinalizava uma promoção interessante. Tentadora.  LIQUIDA BUS  Apenas rotas interestaduais!   45% OFF No entanto, o prazo da promoção é mais urgente que minhas questões. O capitalismo orienta o tempo do empresariado. 48 horas para escolher o destino do próximo ciclo de vida é pouco para mim. Minhas dúvidas ou incertezas têm outro termômetro.  Outro critério de escolha é o fato de que eu gosto mesmo de voar! Perpassar as nuvens... elas são levinhas mesmo. Tocam a janela do avião e a gente nem sente. Não perturbam os pensamentos. Mas as empresas aéreas não me dão 45% de desconto e a bagagem de mão tem pouco espaço. Não cabem as expectativas que carrego e...

Quando foi que comecei a gostar de circos?

Imagem
Foi enquanto estourava pipocas em uma panela de alumínio furada, e que agora só serve para isso, que me questionei: Quando foi que comecei a gostar de circos?  Um dejàvú de poucos dias atrás me lembrou que há um circo no cidade. Não muito longe. E que poderia ir em uma sessão neste final de semana, comer pipoca salgada ou algodão doce. Ou os dois. Pipoca de cinema e de circo são diferentes da de casa. Deve ser aquela panela encardida e queimada que dá sabor. Já testei a gordura que usam em cinema quando era amiga da gerente na Terra do Nunca. Ela me deu uma garrapa da manteiga para pipocas. Não ficava a mesma coisa. Então deve ser a panela ou é o "molho" do(a) pipoqueiro(a) mesmo.  Lembrei também que fui ao circo pela primeira vez, já adulta, com os sobrinhos. Eles nem queriam ir. Mas eu forcei o convite. Queria muito ir ao circo e ainda tinha ganho ingressos. Peguei meu salário de estagiária, marquei o encontro ao final do dia, e fomos. Eles odiaram! Eu amei o Globo da...

Não sei lidar com a vida adulta

Imagem
Foto 3/365 Tio Frank. Um filme filme lindo sobre os medos e a vida de um homem gay. A história acontece na Carolina do Sul (e Nova York), na década de 70.  Na sinopse, ele estava classificado como comédia. Estranho rotular os dramas da vida de uma pessoa como algo engraçado. Certamente é reflexo de uma sociedade machista, sexista, homofóbica. Uma trama forte e delicada. Daquelas que se chora do início ao fim, como podem perceber no autorretrato.  Fiquei muito afetada. Talvez por que estivesse procurando uma comédia pastelão e me deparei com um dramalhão de primeira. Há dias quero só amenizar as ideias, anestesiar sentidos, iludir os pensamentos. Fugir da realidade mesmo. Final de ano vem tantas emoções à tona... Não sei lidar com a vida adulta até hoje. Parei no tempo. É saudade batendo na porta. É ausência se fazendo presente. É amor desperdiçado da gente. É tanta gente sem gente nesse mundo, vivendo uma pandemia sem fim, quase sem esperança. A boia existe, mas a maré não est...

Nome: Elaine - Apelido: Bombom - Cognome: Saudade

Imagem
13 de abril e chove levemente em Porto Alegre. É noite de outono e começo a escrever às 22h57. Segunda-feira. Dia de distrações com serviços de banco, que vinha adiando há quase 30 dias devido ao isolamento social em decorrência da pandemia da covid-19. [Gosto desta termologia, mas não do vírus, obviamente] Passei o feriadão lembrando a data de hoje. Mas adiei “essa conversa” até agora. Hoje marca a passagem da minha mãe pro plano espiritual. Quatro anos. Lembro da minha vida mudar horrivelmente, pela segunda vez. Mas não estou pronta para falar disso, ainda. Vou discorrer sobre o primeiro momento... Eu sou uma guria fantasiosa. E como toda fantasia, ela gera expectativas. E ansiedade. E medo. E dor. Na minha juventude ficava imaginando como seria a vida sem meu pai. Como faria para seguir em frente sem o apoio dele. Mas logo afastava os pensamentos nefastos. Pra que sofrer antecipadamente e sem motivos? O paiaço vendia saúde. Era um guri, como ele mesmo costumava dizer...

A louca das casas

Imagem
Eu sou a louca das casas. Caminho pelas ruas, observando as casas bonitas. Passei a infância morando em casa com varanda e fundos. Foi só aos 9 anos de idade que migrei para os bloquinhos. Mas de prima percebi que ser guria de apartamento não trazia vantagens. Logo, desenvolvi uma paixão por casas; aquelas bem grande para dar conta de toda a família, de segunda à domingo, e em dias de aniversários. Mas hoje é tudo tão diferente... Elas são todas gradeadas. E mesmo assim, ninguém parece curtir os espaços ao ar livre, o pátio ou “a frente” ajardinada. Ao fundo de alguma janela, dá para ver que tem gente em casa. Às vezes... Tem sombras perceptíveis formadas pela luz tênue de algum abajur – luminárias para os elegantes. Não ouço vozes, nem de crianças brincando. Não tem entra e sai. Não tem frestas abertas para ventilar os ambientes. É tudo muito esteticamente insípido. E, claro, inodoro. Ao meio dia, meia tarde ou à noite, não há aroma de comida caseira. Não há ...

É saudade que chama?

Imagem
Saudades desta amiga que nunca me deixou só – até 90 dias atrás.  Se viva, ela teria enviado uma mensagem dizendo: "Nega, tô com saudades. Mas já passou!" E ainda assim sairíamos para tomar uma ceva em um boteco qualquer perto de casa. A gente sempre tinha assunto. Era tipo casamento, sabe? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Talvez, se a gente falasse menos bobagens, se divertisse menos, trocasse menos confidências, desse menos palpite na vida uma da outra, e até brigasse menos, não doesse tanto agora. Mas também não seríamos amigas. Não seríamos nós, que juntas, era sempre pra somar. Era mais! Nossa amizade era bacana. Um misto de amiga-irmãs. Quando um modo ficava chato, ou a situação exigia, automaticamente a gente virava a chave pro outro sistema. E tocava o baile. E mesmo assim discordávamos, às vezes. Vocês não sabem, mas a gente tinha planos de vida. Eu ia comprar uma casa na praia e ela teria um quarto. Nem eu e nem a Jana pensá...

Dois reencontros, duas despedidas

Imagem
Comemoração do meu aniversário, em 2015, com amigos Este ano eu completei 45 anos. Mas a foto do post é de 2015, quando comemorava mais um aniversário ao lado de amigos do peito. A Jana, escondidinha ali atrás, é mais do que amiga. É irmã! Certamente fingiria surpresa e me perguntaria com tom de deboche: “Ué, não era 29 anos?” Depois reclamaria de expor a imagem dela nas redes sociais, sem a sua autorização. Por fim, registro aqui outra pergunta, recorrente antes mesmo de setembro chegar: “E aí nega, o que vamos fazer este an o no teu aniversário?” Engraçado... Ela não gostava de comemorar o seu aniversário, mas estava sempre presente no meu. Aliás, amiga irmã é assim: tá sempre presente em todos os principais momentos da vida da gente. E sou grata por isso. Tem o Luiggi também. Que tá bem ao lado da Jana, o carequinha. Um querido... Foi uma surpresa enorme quando numa conversa de bar, e a gente foi em alguns nessa convivência, ele falou do ano que estudou em um coléginho ...