Quando foi que comecei a gostar de circos?
Foi enquanto estourava pipocas em uma panela de alumínio furada, e que agora só
serve para isso, que me questionei: Quando foi que comecei a gostar de circos?
Um dejàvú de poucos dias atrás me lembrou que há um circo no cidade. Não muito
longe. E que poderia ir em uma sessão neste final de semana, comer pipoca
salgada ou algodão doce. Ou os dois. Pipoca de cinema e de circo são diferentes
da de casa. Deve ser aquela panela encardida e queimada que dá sabor. Já testei
a gordura que usam em cinema quando era amiga da gerente na Terra do Nunca. Ela
me deu uma garrapa da manteiga para pipocas. Não ficava a mesma coisa. Então
deve ser a panela ou é o "molho" do(a) pipoqueiro(a) mesmo.
Lembrei também que
fui ao circo pela primeira vez, já adulta, com os sobrinhos. Eles nem
queriam ir. Mas eu forcei o convite. Queria muito ir ao circo e ainda tinha
ganho ingressos. Peguei meu salário de estagiária, marquei o encontro ao final
do dia, e fomos. Eles odiaram! Eu amei o Globo da Morte. Não foi paixão na
primeira ida, mas comprei gostosuras e aplaudi tudo. É arte!
Na Terra do Nunca fui ao circo novamente. Sozinha. Fui e voltei a pé, era um perto-longe de casa. Foi
revigorante para as ideias. O momento era tenso, de solitude, dor e turvidez.
Novamente tinha ganho ingressos. Comprei minhas gostosuras e assisti com minha
lucidez amarga. Lembro que ri, depois de muito ter chorado na ida. Chorei na
volta tbm. Mas durante o espetáculo estava ali, uma crítica inteira, interessada.
Estou entendendo algumas coisas agora, depois de comer pipocas sem sal e essas
com calda de chocolate. Na verdade eu não gosto de circos. Mas eles estão por
perto quando preciso.




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